domingo, 10 de maio de 2009

"A Ilha das Trevas" - José Rodrigues dos Santos

Sinopse:
"Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país.
Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo - mas terá coragem para o fazer?
A vida e a tragédia de uma família timorense servem de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, percursor de grandes êxitos como A Filha do Capitão, O Codex 632 e A Fórmula de Deus.
Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar."
Quando comecei a ler este livro esperava algo muito diferente do que encontrei. Esperava uma história, baseada nos acontecimentos vividos em Timor-Leste, mas uma história. O que encontrei foi um relato histórico de um povo que resistiu a um genocídio perpetrado durante anos sob a indiferença da comunidade internacional.
Adorei este livro! É sem dúvida um livro brilhante, que apesar de apelidado de romance, relata de forma muito fiel acontecimentos reais.
Conheço relativamente bem a história de Timor-Leste, pois paralelamente à causa tibetana, foi uma causa em que me envolvi. Participei em manifestações, organizei exposições, convivi de muito perto com o povo timorense, conheci algumas das suas tradições e pude sentir a força, a resistência e a verdade desse povo.
Conheci sobreviventes do massacre de Santa Cruz, membros da Falintil, guerrilheiros, mulheres e crianças. Falei com Taur Matan Ruak, saudei Xanana Gusmão e festejei o resultado do referendo que deu a independência tão merecida a Timor Lorosae.
Por tudo isto, reconheço na narrativa de José Rodrigues dos Santos os timorenses reais e as suas vidas, reconheço tantos massacres relatados, relembrei tantas histórias reais narradas pelos próprios... Momentos houve em que ao ler algumas passagens ouvi as vozes de alguns timorenses com quem convivi, me arrepiei e os olhos ficaram turvos...
Não vou aqui falar da história dos livro, pois é a história de um povo, que deve ser lida. Recomendo vivamente este livro, para que não se esqueça nunca a história; para que a mesma não se volte a repetir.
Um abraço a todos os timorenses! Resistir é vencer!

5 comentários:

Pedro disse...

Ainda acho que, embora seja o primeiro e o menos falado dos seus romances, é dos melhores!

Pouco tenho a acrescentar à tua excelente crítica... Também adorei e acho que merece bastante atenção, pois é um livro surpreendente!

Isabel Maia disse...

Este é um dos livros que faz parte da minha wishlist. Estou a ver que estás a ler a "Balada da Praia dos Cães". Um livro muito bom, eu gostei.
Beijos e boas leituras :)

djamb disse...

Gostei bastante deste teu post, porque conferiste um grande carácter de realidade ao livro. Imagino que tenha sido uma óptima leitura para ti.
Eu não gosto dos livros de JRS, considero-a faltosa e presunçosa q.b., mas fiquei mto curiosa sobre A Ilha das Trevas depois de ter lido este post e talvez o venha a ler brevemente. Obbrigada pela partilha ;)
Boas leituras!

djamb disse...

(este é que é) :)

Gostei bastante deste teu post, porque conferiste um grande carácter de realidade ao livro. Imagino que tenha sido uma óptima leitura para ti.
Eu não gosto dos livros de JRS, considero a escrita faltosa e presunçosa q.b., mas fiquei mto curiosa sobre A Ilha das Trevas depois de ter lido este post e talvez o venha a ler brevemente. Obbrigada pela partilha ;)
Boas leituras!

Marta disse...

Uma leitura que se revelou uma agradável surpresa para mim. Adorei.

Beijinho

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