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quarta-feira, 14 de maio de 2008

SHANTARAM - um dos livros da minha vida

"Levou-me muito tempo e precisei de atravessar grande parte do mundo para aprender o que sei sobre oamor e o destino e sobre as escolhas que faze-mos, mas a resposta a tudo isto atingiu-me num momento, quando estava acorrentado a uma parede e a ser torturado. Percebi, através dos gritos, que mesmo naquela impotência algemada e ensanguentada, eu ainda era livre: livre para odiar os homens que me torturavam ou para os perdoar. Não parece grande coisa, eu sei, mas no medo e na opressão de cárcere, quando estes sentimentos são tudo o que se tem, aquela liberdade é um universo de possibilidades. E a escolha que se faz, entre odiar e perdoar, pode tornar-se a história de uma vida.
No meu caso, é uma história longa e povoada de personagens. Eu era um revolucionário que perdera os ideais em heroína, um filósofo que perdera a integridade no crime e um poeta que perdera a alma numa prisão de alta segurança. Quando fiugi, saltando o muro, entre as duas torres de vigia, transformei-me no homem mais procurado do meu país. A sorte acompanhou-me e voou comigo através do mundo para a Índia, onde me juntei à máfia de Bombaim. Trabalhei como traficante de armas, contrabandista e falsário. Fui preso em três continentes , sovado, apunhalado e passei fome. Fui para a guerra . Enfrentei as armas inimigas. E sobrevivi, enquanto outros, em meu redor, morriam. Eram melhores que eu, na sua maioria: homens melhores cujas vidas foram destruídas por enganos desperdiçadas pelo momento errado do ódio, do amoor ou da indiferença de alguém. E enterrei muitos desses homens, enterrei-os e lamentei as suas vidas, como se da minha se tratasse."


É assim que começa este livro. Com as palavras do próprio autor, que escreve a sua história na primeira pessoa. Confesso que me rendi desde as primeiras páginas. Terminei de o ler ontem, e ainda hoje tenho bem presentes as palavras que li. Sinto alguma dificuldade em escrever sobre o livro e a sua história, pois a forma como me "tocou" foi demasido profunda, e por vezes é difícil transmitir o que se sente. Mais que uma leitura, foi uma experiência de vida, de sentimentos e de espiritualidade.


O autor, fugitivo de uma prisão de alta segurança na Austrália, trnsporta consigo um passado em que era viciado em heroína e fazia assaltos à mão armada para conseguir sustentar o vício que o fazia desejar a morte. Foge para Bombaim onde, à saída do avião, conhece Prabaker, um indiano, guia turístico, com um sorriso irresistível e um coração do tamanho do mundo. Gregory David Roberts viaja com um passaporte falso, onde consta o nome de Lindsay - rapidamente, Prabaker o apelida de Linbaba e passa a ser conhecido por Lin. Mais tarde, recebe o nome de Shantaram, que significa " homem de paz" ou "homem de paz de deus"


Entre paixões e amizades vividas e partilhadas no café Leopold's, os negócios no mercado negro, a máfia de Bombaim e recaídas na heroína, o autor conta-nos uma história onde o lado mais negro e obscuro dos Homens se cruza com sentimentos tão profundos como a lealdade, a amizade, o amor ou a cumplicidade.


Shantaram é a história de um Homem que procura por si próprio, nas ruas de Bombaim. É a história de um Homem, que apesar de cometer crimes, descobre no mais fundo de si os sentimentos mais nobres e profundos que os homens podem sentir, que aprende a disfrutar de um sorriso e que descobre que a beleza e a felicidade estão nas coisas mais simples da vida.


E tal como o próprio escreve:
"O único reino que faz de qualquer homem um rei é o reino da sua própria alma. O único poder que tem qualquer verdadeiro significado é o poder para melhorar o mundo" (pág. 863)


Duas certezas eu tenho: este é já um dos livros da minha vida e sei que o vou voltar a ler!

domingo, 27 de abril de 2008

"SHANTARAM" - Gregory David Roberts

Shantaram é o título do livro que estou a ler. Já aqui tinha falado sobre ele http://wwwcontamehistorias.blogspot.com/2008/04/duas-novas-aquisies.html. Vou começar a ler a página 220 (o livro tem 892) e confesso: estou completamente apaixonada pela história que o autor relata. Gregory David Roberts conta a história da vida que começou ao trinta anos, após a sua fuga de uma prisão de alta segurança, na Austrália. Conta, ao longo das suas páginas, como nasceu um homem novo, através das vivências humanas, numa Indía plena de contrastes. Não vou aqui falar mais sobre o livro, até porque ainda não o li todo, mas deixo que o autor vos conte algumas das passagens desta história, que tal como já vos disse, me apaixonou verdadeiramente.










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