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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"A Mordaça Inglesa" - Gonçalo Amaral



Título: A Mordaça Inglesa - A História de um Livro Proibido
Autor: Gonçalo Amaral
Editora: Planeta
Edição: 1.ª Edição - Dezembro de 2009
Páginas: 106


Sinopse:

"Escrevi o livro Maddie - A Verdade da Mentira de forma responsável, fundamentado em factos, onde deixei expressa uma opinião técnica partilhada por quem trabalhou comigo na investigação do chamado Caso Maddie, constituindo uma resposta a difamações e um contributo para a descoberta da verdade material, no exercício da liberdade de expressão conquistada com o 25 de Abril de 1974. Catirze meses depois, uma providência cautelar apresentada pelo casal McCann visa a proibição de tal livro, manifestando o interesse em calar as vozes contrárias à tese do rapto.

Este livro surge da minha indignação perante o peso da censura a estilhaçar os direitos fundamentais do ser humano. Não desejo o papel de vítima mas recuso-me a ser submisso. E não posso silenciar ou deixar cair no esquecimento valores universais que conferem ao homem a sua verdadeira dimensão. E é por isso que a minha indignação não deve ser solitária. A luta contra a censura é urgente e nasce da vontade de todos.

Mais do que um protesto de um homem amordaçado, pretendo, sobretudo, defender a liberdade de expressão como o direito de formular livre e responsavelmente pareceres, conceitos e convicções. A história de um livro proibido precisa de ser contada. Em nome da liberdade e da responsabilidade."


Opinião:

Comecei a ler este livro ontem de manhã e acabei hoje de manhã.

Não é um romance, nem o relato de uma investigação, muito menos é um policial. É sim, um grito de indignação de alguém que se sente injustiçado, amordaçado, privado da sua liberdade sem estar preso, porque pior que a prisão física é a prisão que restringe, ou pretende restrigir a liberdade de pensamento e de expressão.

O livro de Gonçalo Amaral, "Maddie - A Verdade da Mentira" foi proibido e consequentemente retirado de venda, na sequência de uma providência cautelar aceite por um Tribunal português. Logo na altura divulguei aqui a notícia e manifestei a minha indignação.

Neste novo livro, Gonçalo Amaral manifesta o seu sentimento de injustiça e sente-se, ao longo das páginas, a sua profunda desilusão com os princípios que defendeu e com a instituição que representou em quase três décadas. É triste, mas é bem verdade.

O me indigna profundamente é o facto de este nosso país, pequenino, se fazer ainda mais pequenino quando o olham de cima, sobranceiramente, vergando-se a interesses e poderes mesquinhos, subjugando valores tão essenciais como a liberdade de expressão ou descredibilizando instituições de reconhecido valor. Mas a verdade é que um país e as suas instiuições são feitos de Homens e reflectem os valores desses Homens, algumas vezes feliz outras vezes infelizmente.

Não me consigo capacitar que em pleno século XXI, três décadas e cinco anos após uma democracia instalada, se tenha assistido à proibição de um livro. Faz relembrar outros tempos, dos quais não me recordo, mas sobre os quais li e ouvi muito. Faz-me sentir profundamente triste que o nosso país trate assim os seus Homens, a sua Educação, a sua Cultura, a sua Liberdade.

Não conheço Gonçalo Amaral e nem aqui está em causa o facto de concordar com a sua tese defendida no seu livro proibido. O que está em causa é o princípio da liberdade de expressão que foi profundamente ferido. Se os direitos de personalidade do casal McCann foram ofendidos, então e o direito de personalidade de Gonçalo Amaral quando este foi acusado de alcoólatra e cabecilha de redes de pedofilia? É que nessa altura ninguém da justiça portuguesa se indignou ou movimentou instrumentos jurídicos. O casal McCann merece solidariedade por ter perdido a sua filha? Claro que sim. Mas alguém se lembra ou lembrou alguma vez as filhas de Gonçalo Amaral, uma delas bem pequena, a quem todas as acusações proferidas contra o pai em praça pública afectam como a qualquer outra criança?

O que me indigna é a forma como todo este processo foi conduzido e a censura renascida. Se a tese defendida por Gonçalo Amaral está correcta ou se é um completo absurdo, é algo que a justiça portuguesa deveria ter permitido ser provado. Mas é mais fácil censurar!

Já todos perceberam que acredito e defendo a mesma tese que Gonçalo Amaral, mas mesmo que não acreditasse nem um pouquinho que fosse, a minha conclusão seria a mesma, aqui resumida em sábias palavras de Voltaire:


"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."


"Acontece com os livros o mesmo que com os homens, um pequeno grupo, desempenha um grande papel."

"A perfeição da própria conduta consiste em manter cada um a sua dignidade sem prejudicar a liberdade alheia."


Prós:
As reflexões sobre a liberdade que me fizeram relembrar as aulas de Filosofia.


Contras:
Por vezes a linguagem utilizada é demasiado jurídica. Nota-se bem a formação académica do autor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Diminui a liberdade de imprensa em Portugal

De acordo com a notícia do Jornal Público, a liberdade de imprensa em Portugal diminuiu este ano, do 16º para o 30º lugar.

A mim preocupa-me este resultado.

Qualquer dia chega aos blogues...

sábado, 12 de setembro de 2009

Comunicado a imprensa da editora Guerra e Paz

«A Guerra e Paz Editores foi hoje notificada pelos tribunais da proibição da venda do livro Maddie, a Verdade da Mentira e da proibição de contratar com editores estrangeiros a cedência dos direitos de edição do livro de Gonçalo Amaral para outros países, da proibição de citar, analisar, comentar partes do livro e da proibição de reproduzir, comentar, opinar ou dar entrevista sobre determinada tese contida no livro.

Como empresa editora, a Guerra e Paz considera ser, acima de tudo, um veículo de comunicação, cabendo-lhe alargar, com os livros que publica, o debate público e a diversidade de ideias, por forma a enriquecer um público adulto que é (ou devia ser) soberano e livre de ler o que bem entenda e de, sobre esses ou com esses livros, formar a sua opinião.

Por essa razão, a Guerra e Paz Editores entende que as proibições agora decretadas pelo Tribunal são atentatórias da liberdade de expressão e da liberdade contratual, ferindo os direitos mais elementares consagrados na Constituição Portuguesa.

Pelo momento em que as proibições são anunciadas – mais de um ano depois da publicação – e pela amplitude das mesmas, alargando o âmbito da aplicação a todo o mundo, esta proibição é injustificada e discutível, merecendo a mais completa discordância moral da Guerra e Paz. Só o respeito pelas instituições e a nossa vontade de contribuir para o seu prestígio, nos leva a acatar esta proibição arbitrária que contestaremos nos tribunais portugueses e, se necessário, em instâncias supra-nacionais.

Queremos, por fim, deixar aqui uma palavra solidária ao nosso autor, Gonçalo Amaral, por ser sujeito à violação de um dos exercícios fundamentais da vida humana, o do direito de livre expressão, proibição que não honra o país em que nasceu.

A Administração da Guerra e Paz Editores»

Eu assino por baixo!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Proibida venda de livro de Gonçalo Amaral

Estou indignada, estupefacta, revoltada, irritada, enfim estou mesmo com o mau feitio. E a culpa é desta notícia, publicada no semanário SOL:

"A 13ª Vara Cível de Lisboa deferiu hoje a providência cautelar apresentada pelo casal McCann, pais de Maddie – desaparecida na praia da Luz em Maio de 2007 – no sentido de proibir a venda do livro de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, que defende a tese de que seriam os pais os responsáveis pelo desaparecimento e morte da criança.

O livro Maddie – A Verdade da Mentira não pode ser vendido a partir de hoje, e todos os exemplares que haja em banca ou armazém deverão ser recolhidos. O tribunal decidiu também acolher o pedido do casal McCann de proibir a distribuição do filme com base no mesmo livro, que chegou a ser exibido pela TVI. O tribunal intima a Valentim de Carvalho e a Guerra e Paz a recolherem todos os livros que ainda tenham para venda nas livrarias, proibindo-as de cederem para outros países os direitos de exibição do vídeo e de venda do livro. Segundo a mesma decisão, as editoras não podem publicar estes ou outros livros ou vídeos que defendam a mesma tese. Por fim, proíbe Gonçalo Amaral de fazer declarações sobre o conteúdo do livro ou do vídeo."

Para quem ainda tinha dúvidas, passo a esclarecer: isto É CENSURA!!! De expressão, de investigação, de liberdade de imprensa, de opinião, ...

Socorro!!!! Alguém viu a liberdade a passar por aí?


P.S.: Se calhar é melhor dizer isto baixinho (não vão eles encerrar-me o blogue), mas podem ler a minha opinião sobre este livro aqui.



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