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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

"Rio das Flores" - Miguel Sousa Tavares


Com o segundo romance de Miguel Sousa Tavares, "O Rio das Flores", aconteceu-me algo de diferente na experiência que é ler um livro. Normalmente são as histórias que me cativam, os enredos, o suspense, o mistério... apesar de existirem personagens que pelas suas características já fazem parte da minha vida literária - é o caso de Dick Haskins, da dupla Sam Kovac e Nikki Liska ou Jane Rizzoli.

Mas, voltando a "Rio das Flores"...

A história é muito interessante, mostra um Portugal escondido, no interior do Alentejo, no seio da ditadura... Mas mais do que a história, foram as personagens que me cativaram e prenderam, da primeira à última página.

Pedro e Diogo, dois irmãos, filhos de Manuel Custódio Ribera Flores, proprietário rural de Estremoz e de Maria da Glória, esposa, mãe e guardiã da casa.

Pedro, decidido, autoritário no exercício profissional, defensor da ditadura e das elites, toma conta de Valmonte, a propriedade da família, após a morte do pai. Cinco anos mais novo que o irmão, não anseia por mais nada que não seja a terra onde nasceu, onde se sente dono e senhor. Racional. frio e calculista, luta pelos seus ideais, e é por eles (ou será para fugir da grande dor que transporta no coração?) que se alista na Guerra Civil Espanhola, para lutar contra os Republicanos. Destemido, luta por Espanha como pelo seu próprio país. O seu carácter introspectivo e dado a grandes silêncios, é reforçado com o seu regresso forçado a Portugal, mutilado, mas consciente que lutou pelo lado certo e por aquilo em que acredita.

Diogo, mais velho, emotivo... sonhador. Um homem que ama a liberdade, um democrata que ama a sua terra que ao mesmo tempo o sufoca, que desafia a ordem e os costumes instituídos ao casar com Amparo, filha de um ex-rendeiro, cigana. Sonha com a liberdade, ao mesmo tempo que se vê a viver e a sufocar num Portugal fechado, onde a ditadura ganha adeptos. Sonha com o Brasil, terra que virá a conhecer por motivos profissionais... terra pela qual adoece de amor, sem cura previsível...

Pedro, objectivo e directo, vê o seu lado pragmático ser abalado pelos seus sentimentos por Angelina, estudante de arte, para quem o Alentejo e Portugal são pequenos demais para a sua criatividade.

Diogo, apaixonado pela liberdade que em Portugal lhe é negada, parte para o Brasil, seguindo um sonho, deixando uma família...

Pedro e Angelina ... Diogo e Amparo ... As personagens apaixonantes que fazem um romance brilhante.

(A fotodo livro foi retirada de http://www.oficinadolivro.pt/site/frames.aspx)

domingo, 19 de agosto de 2007

"EQUADOR" - Miguel Sousa Tavares



Foi com esta história, comovente, perturbadora e sensual, que Miguel Sousa Tavares iniciou a sua caminhada pelo romance.


Equador é a história de Luís Bernardo, sócio principal da Companhia Insular de Navegação, 37 anos, solteiro e dado a aventuras de saias, que numa manhã chuvosa de Dezembro de 1905 parte de Lisboa, rumo a Vila Viçosa para um encontro com El-Rei D. Carlos.


Quando partiu não sabia, nem imaginava que o esperava algo que o levaria a trocar a sua vida despreocupada, por uma missão patriótica, mas arriscada, na longínqua ilha de S. Tomé.


Ao aceitar o cargo de governador, assumiu também a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças, vendo-se por isso, no seio de uma rede de conflitos de interesses com a metrópole.


Luís Bernardo é um homem apaixonado pela sua luta, pela sua causa e defende-as até ao fim, sem temer as consequências da justiça e da igualdade que procura para os trabalhadores das roças.


O que Luís Bernardo não sabe, é que é também em S. Tomé que vai conhecer a paixão e o amor. A descoberta do amor que lhe vai mudar a vida. Num estilo queirosiano, Luís Bernardo envolve-se numa paixão quente e sensual com Ann, mulher de David, cônsul inglês, que está em S. Tomé devido a erros cometidos no passado, na Índia.


Enquanto vive a luta ao lado dos trabalhadores das roças, Luís Bernardo vive também o seu amor, na ambiguidade do desejo e da culpa, do prazer e da traição.


Uma história envolvente, que nos prende desde a primeira página, retratando os últimos dias da monarquia portuguesa, entre os serões mundanos da capital e o ambiente retrógado das colónias.


O fim... esse deixo para quem ler o livro...

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