Hoje, o Presidente da República Portuguesa revelou estar preocupado com a distanciamento dos jovens em relação à política e ao desconhecimento revelado pelos mesmos no respeitante ao 25 de Abril. É de facto preocupante os nossos jovens demonstrarem uma profunda ignorância sobre a nossa história tão recente. Sobre o dia histórico, que lhes permite hoje tantas coisas proibidas e nem sonhadas, aos jovens de então.
Mas, para mim, há algo ainda mais preocupante que essa ignorância juvenil, e que é o esquecimento sénior. Passo a explicar: os jovens de hoje, são filhos e netos dos jovens, homens e mulheres de Abril de '74. E se os jovens nunca ouviram falar do 25 de Abril, a culpa é da escola? Também, mas não só. O facto de os jovens de hoje não saberem nada, ou quase nada, sobre essa data histórica, significa que os pais, os avós, aqueles que viveram esse dia e essa época, não lhes contam como foi. Significa que somos um povo que não fala do seu passado, que os pais não contam aos filhos como era "no seu tempo", que a nossa história é esquecida, não apenas nos bancos de escola, mas no seio das famílias, por aqueles que fazem parte dessa mesma história.
Eu cresci a ouvir falar do 25 de Abril em casa. Não foi na escola que me contaram que os supermercados ficaram vazios, porque as pessoas se abasteceram, com medo do que podia vir - foi a minha mãe. Foi o meu pai que me contou como os capitães se organizaram, e porquê. Foram os meus pais que me explicaram o que era a PIDE, a DGS, o Limoeiro, as Mónicas, o Tarrafal. Foi o meu pai que me contou os episódios de uma guerra que viveu.
Não tenho filhos, mas se os tivesse contar-lhes-ia que a avó, no dia 25 de Abril de 1974, foi à janela logo de manhã e ouviu a vizinha dizer "Ó vizinha, já sabe? Há uma revolução!", e que o avô chegou a casa com um grande pão de Mafra, porque já não conseguiu comprar mais nada, quando no trabalho o mandaram para casa porque havia uma Revolução.
Pois é, parece-me que os pais de hoje, se esquecem de muitas coisas...

