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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Título: O Fio do Tempo

Autor: João Paulo Oliveira e Costa

Editora: Círculo de Leitores

Edição: 2010

Páginas: 348



Sinopse:

"A 4 de Outubro de 1500, um homem contempla Lisboa à janela dos seus aposentos, no paço da Alcáçova. Tem 101 anos, e é o último conquistador de Ceuta vivo. Enquanto aguarda a inevitável visita da morte, D. Álvaro de Ataíde recorda a sua vida aventurosa: servidor da casa de Viseu, conquistou Ceuta, lutou na Guerra dos Cem Anos, foi campeão de justas e torneios, sofreu em Tânger, ajudou a criar as caravelas, visitou a Guiné e conheceu gentes e feras nunca antes vistas, ganhou fama na Borgonha, esteve em Alfarrobeira, na tomada de Arzila e na batalha de Toro. Conselheiro de reis e duques, assistiu às lutas políticas e às tragédias do século XV português; viu a sua Casa ascender com D. Henrique e D. Fernando, cair em desgraça com D. Diogo, para finalmente subir ao trono  com D. Manuel. Assistiu ao novo rumo que o destino de Portugal tomava, mudanças que o seu escravo, um guinéu que se entregava à prática da feitiçaria, acreditava terem conhecido graças à maldição que lançara sobre el-rei de Portugal".

Opinião:
Esta história é passada nos tempos áureos dos descobrimentos portugueses e relata-nos 86 anos da História de Portugal através das memórias de D. Álvaro de Ataíde.
Começamos por conhecer o jovem cavaleiro negro com apenas 15 anos e a sua paixão por Filipa Andrade.
Ao longo da história, vamos conhecendo a História de Portugal através da própria história de D. Álvaro, do seu amor único a uma mulher, do seu amor ao seu filho e da dedicação do seu escravo.
Portugal e D. Álvaro partilham uma história de batalhas, conquistas, sonhos e desilusões que neste livro vamos conhecendo de uma forma apaixonante e que nos faz querer ler sempre mais um pouco.
Adorei!

"A Magia dos Números" - Yoko Ogawa

Título: A Magia dos Números
Título original: Hakase no aishita sushiki
Autor: Yoko Ogawa
Tradutor: Filipe Jarro (traduzido do francês)
Editora: Quetzal
Edição: 2011
Páginas: 214

Sinopse:
" Uma empregada de limpeza começa a trabalhar em casa de um velho matemático, cuja carreira foi brutalmente interrompida por um acidente de automóvel, que reduziu a autonomia da sua memória a oitenta minutos.
A cada manhã, a jovem mulher deve apresentar-se como se se vissem pela primeira vez, e é com grande paciência, gentileza e muita atenção que ela consegue ganhar a sua confiança. Também lhe apresenta o filho de dez anos. Inicia-se en tão um relacionamento maravilhoso: o rapazinho e a sua mãe vão não só partilhar com o velho amnésico a paixão pelo basebol, como também vão aprender com ele a magia dos números.
Neste subtil romance sobre a herança e a filiação - e em que três gerações se encontram sob o signo de uma memória extraviada e fugidia - a narrativa desdobra-se com a graça e o rigor de um origami. Lapidar e profundo como um haiku, A Magia dos Números é uma pequena obra-prima."


Opinião
Já é conhecida a minha paixão pela literatura japonesa. E livros como este só servem para a tornar numa paixão avassaladora!
Maravilhoso, meigo, delicado, são adjectivos que pouco definem este livro. Não consigo colocar em palavras os sentimentos que esta história me transmitiu.
A história é simples: uma empregada doméstica é destacada para uma casa por onde já passaram várias empregadas. Ao apresentar-se fica a saber que terá de tratar de um homem que, na sequência de um acidente automóvel, ficou com a memória reduzida a oitenta minutos. Após esse tempo, era como se tudo recomeçasse.
O professor, como é tratado carinhosamente em toda a história, tinha sido um notável matemático e só encontrava conforto na segurança dos números e das fórmulas matemáticas.
A empregada apresenta-lhe o seu filho, Root, de dez anos e desde logo se estabelece uma cumplicidade entre os três, que ao longo da história nos transmite uma lição de partilha, aceitação e amor incondicionáveis.
Uma história comovente. Um dos livros mais bonitos que li.

domingo, 8 de abril de 2012

"Paraíso das Trevas" - Tami Hoag

Título: Paraíso das Trevas

Autor: Tami Hoag

Tradutor: Ribeiro-da-Fonseca

Editora: Círculo de Leitores

Edição: Dezembro 2001

Páginas: 501



Sinopse:
"New Eden, Montana, é um paraíso na terra onde uma mulher morreu no seu inferno particular. Cumpre então a Marilee Jennings, ex-estenógrafa judicial, decifrar o quebra-cabeças da morte da sua melhor amiga. Mas há quem esteja interessado em calar as suas suspeitas. Alguém com segredos que justificam matar - e com poder para transformar esse belo refúgio num Paraíso das Trevas... É à medida que Marilee escava sob o exterior perfeito de New Eden, descobrir a verdade de repente já não é uma questão de justiça. É a sua única esperança de ficar viva."

Opinião:
Já não é novidade para aqueles que me acompanham que sou fã da Tami Hoag.  E por incrível que pareça aindatenho livros dela para ler - 3 neste momento! Gosto sempre de ter alguns por ler, para quando me apetecer algo do género ter um disponível. E foi o que aconteceu com este "Paraído das Trevas".
Marilee decide mudar a sua vida, após o seu divórcio. Coloca toda a sua roupa de estenógrafa judicial, todos os seus fatos de saia-casaco e sapatos de salto num saco de plástico e arruma-os na mala do carro. Depois, liga o rádio do carroe conduz até à casa da sua melhor amiga, no Montana. No entanto, apesar de querer mudar de vida, não esperava o que foi encontrar. Quando chegou a casa da amiga, encontrou um cenário de abandono e soube que esta tinha sido morta, aparentemente devido a um erro de um caçador.
Marilee não se conforma e tenta saber mais sobre a morte da amiga. Nesta sua procura, descobre coisas que a terra quer manter  em segredo... encontra um vaqueiro teimoso, orgulhoso e defensor da sua terra, mas que lhe desperta sentimentos e emoções há muito esquecidos.
Um romance intenso, onde a procura da verdade incomoda e se torna numa luta pela sobrevivência.

"Mentiras no Divã" - Irvin D. Yalom

Título: Mentiras no Divã
Autor: Irvin D. Yalom
Tradutor: Renato Carreira
Editora: Saída de Emergência
Edição: Ano 2007

Páginas: 351

Sinopse:
"Depois do sucesso dos best-sellers internacionais Quando Nietsche Chorou e A Cura de Schopenhauer, Irvin D. Yalom regressa com uma história ambiciosa sobre as virtudes e os princípios da terapia. Neste provocador romance de ideias, Yalom disseca a complexidade das emoções humanas através do relacionamento de três terapeutas e dos seus pacientes. Num romance tocante e angustiante, Yalom estuda as delicadas fronteiras entre terapeuta e inquisidor, confidente e amante.
Seymour, um terapeuta de renome e ex-presidente da Associação Psiquiátrica Americana, é adepto de técnicas pouco ortodoxas e inicia um jogo erótico com uma paciente quarenta anos mais nova. Este tratamento alternativo parece tirá-la de uma rotina de promiscuidade e autoflagelação. Lash é um jovem psicanalista com uma fé inabalável na psicanálise e esconde o seu fanatismo sob a máscara da responsabilidade. Na busca do seu caminho, inventa uma radical abordagem para as suas sessões: honestidade brutal entre analista e analisado. Os resultados são tão inesperados como perigosos. E vê-se na situação de ser vítima da sua própria cura.
Explorando os jogos de poder, Mentiras no Divã é uma história intensa, eloquente e bem-humorada, em que os dilemas da lealdade se apresentam com clareza e vigor. Um livro brilhante, inteligente e apaixonante."

Opinião:
Um livro fantástico! Sob a forma de romance, com notas de bom-humor, Yalom consegue desmistificar o terapeuta enquanto o homem a quem não se consegue mentir e revela o terapeuta enquanto o homem que mais acredita.
Ao longo do romance vamos conhecendo três terapeutas e os seus clientes, bem como as histórias de ambos. Enquanto os terapeutas se centram nas histórias de vida dos seus clientes, estes, por sua vez, centram-se nas histórias de vida que satisfazem os seus terapeutas. Desde pacientes envolvidas em jogos eróticos até pacientes que apenas se querem vingar  do terapeuta do ex-marido, passando por pacientes que procuram terapias breves para problemas muito específicos e que desaparecem depois de burlarem  terapeuta, vamos percebendo ao longo do livro a dualidade da relação terapêutica.
É um livro que nos leva a reflectir sobre o verdadeiro papel do terapeuta e como este também pode ser "analisado" pelo paciente, e até, em certos casos, usado.
Um bom livro, para quem como eu, gosta das terapias dinâmicas e vem da escola psicanalítica. Acho que o Freud ia gostar de o ler!

 

sábado, 3 de março de 2012

"O Sabor da Vingança" - Karen Rose

Título: O Sabor da Vingança

Autor: Karen Rose

Tradutor: Maria João Freire de Andrade

Editora: Círculo de Leitores

Edição: Junho 2009

Páginas: 432



Sinopse:

"Dana Dupinsky guarda muitos segredos: novas identidades, novos endereços, e até algumas verdades que esconde de sei mesma. Dedicada à Hanover House, um abrigo para mulheres, Deana sempre se mostrou relutante em procurar o amor. Porém, quando uma mulher e uma criança se encontram em perigo de morte, parece que o amor anda à sua procura. Ethan Buchanan jurou perseguir a mulher que raptou o seu afilhado, e apaixonar-se não está nos seus planos, mas a simples presença de Dana parece afastar os fantasmas que o assombram, e a sua capacidade para evitar perguntas pessoais aumenta os instintos de caça de Ethan. Hanover House tem um novo segredo mortal: um assassino tece uma teia de vingança, e Dana é a próxima vítima..."


Opinião:

Quando Dana recebe uma mulher e o seu filho na Hanover House, está muito longe de imaginar os problemas que está a trazer para aquela casa, que pretende ser um refúgio seguro para as mulheres que a procuram. Mas aquela mulher e aquela criança cedo se revelam estranhos e despertam a curiosidade de várias pessoas.

Ethan procura o seu afilhado surdo, raptado de sua casa, juntamente com a sua terapeuta da fala que apareceu morta horas mais tarde.

Dana estava no terminal rodoviário à espera de mais uma mulher maltratada pelo marido, que tinha conseguido encetar uma fuga e procurava agora um local seguro para reiniciar uma vida nova. Ethan estava no mesmo terminal rodoviário, a ver as cassetes de video-vigilância em busca do rasto do afilhado. Quando os dois se cruzam por acaso, não conseguem imaginar o quanto o quanto os liga.

Uma história intensa, onde uma vingança doentia e obsessiva ocupa o papel central.

Um bom livro!


"O Assassino Inglês" - Daniel Silva

Título: O Assassino Inglês

Autor: Daniel Silva

Tradutor: Vasco Teles de Menezes

Editora: Bertrand Editora - 11/17

Edição: Julho 2010

Páginas: 438



Sinopse:

"Espião ocasional e restaurador de arte, Gabriel Allon chega a Zurique para restaurar a obra de um Velho Mestre, a pedido de um banqueiro milionário. Em vez disso, dá por si no meio do sangue do cliente e injustamente acusado do seu homicídio. Allon vê-se inesperadamente  abraços com uma voraz cadeia de acontecimentos, incluindo roubos de arte pelos nazis, um suicídio com várias décadas e um trilho sangrento de assassínios - alguns dasua autoria. O mundo da espionagem que Allon pensava ter colocado de parte vai envolvê-lo uma vez mais. E ele vai ter de lutar pela vida com o assassino que ajudou a treinar."


Opinião:

Mais uma leitura de Daniel Silva que me deixou satisfeita. A forma como o autor escreve faz com que o leitor se sinta tão próximo das personagens, que após alguns livros, Gabriel Allon é já um conhecido com o qual gosto de me reencontrar. É esta a sensação com que fico ao ler mais esta aventura do restaurador de arte.

Daniel Silva tem uma escrita"cinematográfica", o que faz com que a leitura dos seus livros seja uma viagem quase sensorial pela história - conseguimos, à medida que lemos, visualizar os locais, as personagens, as suas expressões. Conseguimos sentir as suas emoções.

De Londres a Zurique, passando pela Córsega, por Portugal e por Veneza, a acção desenrola-se a um ritmo intenso, que torna difícil para a leitura.

Gostei bastante.






quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

"Em Busca de Uma Voz Distante" - Taichi Yamada

Título: Em busca de uma voz distante
Autor: Taichi Yamada
Tradutor: Maria Helena Serrano
Editora: Civilização Editora
Edição: 2006
Páginas: 206

Sinopse:

"Do autor de Desconhecidos, mais um romance assombrosamente pungente, imbuído de um belo e melancólico sentimento de ânsia. Kasama Tsuneo é funcionário da Imigração em Tóquio e luta para ter uma vida "normal" após um incidente, há oito anos, do outro lado do mundo, em Portland, Oregon. Certo dia sofre um  estranho choque emocional e a sua vida ameaça fugir do seu controlo.
Taichi Yamada explora ideias de sexualidade, culpa e identidade, ao mesmo tempo que expõe novamente as suas qualidades únicas de contador de histórias e o seu dom inquietante de misturar o dia-a-dia com o surreal."

Opinião:

Brilhante!!! Já conhecia o autor e não esperava nada menos que brilhante, o que se confirmou.
Em busca de uma voz distante, é um livro forte, intenso, emocionalmente perturbante, por vezes clautrofóbico. Sentimos a ansiedade de Kasama Tsuneo, a opressão do seu peito no nosso e por vezes sustemos a respiração sem dar por isso.

Uma história que nos conduz aos medos e segredos da personagem, à sua sexualidade reprimida, à sua necessidade de libertação emocional.

Mais um livro que vem confirmar a minha paixão pela literatura japonesa!

Prós: A intensidade emocional da história.

Contras: Não tem

"O Anjo Branco" - José Rodrigues dos Santos

Titulo: "O Anjo Branco"
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
Edição: 1.ª edição - Outubro 2010
Páginas: 678

Sinopse:

"A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia  perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.

O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.

No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco tranforma-se numa lenda no mato.


Chamam-lhe o Anjo Branco.

Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.

Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

Opinião:

Adorei!!! Um livro forte, sem rodeios e sem tomar partidos. A história de José Branco, um homem que viveu de acordo com os seus princípios de igualdade, respeito e liberdade.

Não vou falar sobre a história pois há histórias que têm de ser vividas para se compreenderem e ler este livro é isso mesmo - é viver uma história, ou histórias, que foram as histórias de muitos portugueses. Um livro sobre a Guerra Colonial, sem máscaras, sem medos e sem "politicamente correctos".

Prós: a realidade com que a história é escrita, de forma imparcial, sem tomar partido por nenhuma das partes. A escrita a que José Rodrigues dos Santos já nos habituou, e que cativa desde o primeiro parágrafo.

Contras: Não tem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"As Memórias do Livro" - Geraldine Brooks

Título: "As Memórias do Livro"

Autor: Geraldine Brooks

Tradutor: Ângelo dos Santos Pereira

Editora: Casa das Letras

Edição: 1.ª Edição - Outubro 2008

Páginas: 386



Sinopse:

"Vencedora do Prémio Pulitzer, Geraldine Brooks oferece-nos este complexo e ambicioso romance estruturalmente rico e de grande intensidade emocional que arrasta os seus leitores para uma aventura que vai de Espanha às ruínas de Serajevo, de Veneza às rochas ancestrais do norte da Austrália.
Em 1996, é oferecido a uma conservadora de livros raros o sonho da sua vida: a conservação de um misterioso e magníficamente iluminado códice hebraico da Espanha do século XV, dalvo da destruição da biblioteca de Serajevo. Quando Hanna descobre uma série de minúsculos artefactos na encadernação do livro - um fragmento de uma asa de insecto, manchas de vinho, pedras de sal, um cabelo branco - começa a aceder aos mistérios ancestrais que envolveram o livro e a desvendar as histórias dramáticas daqueles que tudo fizeram para o proteger.
As Memórias do Livro está repleto de inesquecíveis vozes do passado, mas é a voz de Hanna - controversa e contemporânea - que o converte numa leitura compulsiva que transcende os habituais limites da ficção histórica.
Inspirado numa história verídica e prendendo o leitor desde a primeira página, As Memórias do Livro contém  todas as características da escrita que levou Geraldine Brooks a receber o Prémio Pulitzer."

 
Opinião:
Já tinha este livro para ler há bastante tempo e ainda bem que o li entretanto. Gostei muito da escrita da autora e da forma como a história é contada: um capítulo sobre o que está a acontecer no momento actual, com a conservação da Hagadá seguido de um capítulo que nos conta a história dessa mesma Hagadá. E é essa história que é fascinante!!! Um livro escrito por uma judia, refugiada e protegida por muçulmanos torna-se numa relíquia que séculos mais tarde protegido em Serajevo, com a própria vida dos que conhecem o seu segredo.
A história é fascinante e que gosta de livros perder-se-á nesta narrativa, sentindo o cheiro dos pergaminhos, o toque das suas páginas, a fragilidade que resistiu a tantas aventuras.
Paralelamente à história da Hagadá, temos a história de Hanna, a jovem e promissora conservadora de livros, que ao mesmo tempo que recupera o códice hebraico, faz o mesmo à sua vida: avalia a sua fragilidade, descobre as suas fortalezas, recupera e restaura o que é necessário.
Duas histórias impressionantes: a Hagadá e Hanna.
Prós: A escrita fascinante, a estrutura da narrativa e a história.
Contras: Não tem

sábado, 19 de novembro de 2011

"Marina" - Carlos Ruiz Zafón

Título: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Maria do Carmo Abreu
Editora: Planeta
Edição: 4.ª Edição
Páginas:260

Sinope:

"«Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear poe ente as brumas da estação da Francia  e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca.

Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas sa alma. Este é o meu».

Na Barcelona de 1980, Óscar Drai sonha acordado, deslumbrado pelos palacetes modernistas próximos do internato onde estuda. Numa das escapadelas nocturnas conhece Marina, uma rapariga audaz e misteriosa que irá viver com Óscar a aventura de penetrar num enigma doloroso do passado da cidade e de um segredo de família obscuro. Uma misteriosa personagem do pós-guerra propôs a si mesmo o maior desafio imaginável, mas a sua ambição arrastou-o por veredas sinistras cujas consequências alguém deve pagar ainda hoje."


Opinião:

Carlos Ruiz Zafón é um autor indescritível, e com este seu livro estabeleci uma relação muito afectiva.

O livro é pequeno, lê-se rapidamente, mas deixa no leitor a sua marca para todo o sempre! É impossível não ficar emocionalmente ligado às personagens, de tão fortes que são e da forma como conseguem entrar no mais íntimo de nós. Uma história de dois adolescentes, que se cruzam com uma realidade obscura, ou será, que se cruzam com os seus medos mais íntimos?

A história é bela, as personagens apaixonantes, a escrita fantástica. Enfim, é Carlos Ruiz Zafón!

Não vou contar a história, pois tem mesmo de ser lida para ser compreendida e, o mais importante, para ser sentida!

Sem dúvida, um dos melhores livros deste ano!

Prós: Tudo.

Contras: Nada.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"O Palestiniano" - Antonio Salas

Título: O Palestiniano
Autor: Antonio Salas
Tradutor: António Carlos Carvalho
Editora: Planeta
Edição: 1.ª Edição Novembro 2010
Páginas: 662


Sinopse:

"«... Tive sorte. Vladimir Ramírez marcou-me encontro muito perto da mesquita de Caracas, à qual ia todas as sextas-feiras para rezar. E em plena gravação fomos interrompidos pelo telefone. Era o irmão dele... Carlos, o Chacal. Passou-me o telefone para que eu o cumprimentasse, e a nossa primeira conversa começou em árabe... Mais tarde, depois do meu adestramento paramilitar, co contacto com a ETA e as FARC na Venezuela, e dos contactos com o Hizbullah no Líbano e com o Hamas na Palestina, o Chacal iria converter-se no meu mentor e iria ligar-me directamente todas as semanas para me dar instruções...»

Depois de seis anos infiltrado sob a identidade fictícia de Muhammad Abdallah em diversas organizações terroristas surge O Palestiniano, uma crónica surpreendente em que o conhecido jornalista de investigação Antonio Salas nos relata este tempo vivido até ao limite, para tentar revelar aos leitores o que existe de verdadeiro ou de falso nas aterradoras notícias que nos atingem todos os dias acerca da escalada da violência no mundo.

Espanha, Palestina, Israel, Marrocos, Tunísia, Síria, Mauritânia, Venezuela, Egipto, Suécia, Líbano... são os cenários desta investigação sem precedentes, tão valiosa que ultrapassa as fronteiras do papel. Antonio Salas desenhou uma revolucionária página web, de consulta complementar à leitura do livro, com material inédito que ajudará a compreender melhor o gigantesco puzzle do terrorismo internacional.

O Palestiniano é uma nova forma de entender o jornalismo de investigação"


Opinião:

Adoro Antonio Salas. Confesso que sou sua fã, da sua coragem, da sua humildade e até, de certa forma, da sua inocência (no sentido de que as suas investigações não têm segundas intenções, para além de conhecer e dar a conhecer a verdade).

Este é o terceiro livro do autor, e é o terceiro livro que leio. Tal como os outros dois, "Diário de um Skin" e "Um ano no tráfico de mulheres", "O Palestiniano" não é uma história bonita, apesar de em alguns momentos o autor nos conseguir arrancar um sorriso ou até um riso mais alargado, com a sua ironia ou golpes de "protecção de Allah".

Desde os checkpoints israelitas, às FARC, à ETA, ao Hamas ou ao Hizbullah, António Salas conta-nos uma verdade da qual só sabemos pequenas partes (ou nem isso!). O terror, o medo, o desespero, estão presentes ao longo das mais de seiscentas páginas que relatam seis anos de investigação.

É precisa muita coragem para que ao longo de seis anos se viva uma personagem criada, uma religião que nos era estranha, hábitos alimentares e de vida que são opostos ao que até aqui tínhamos. Se dúvidas existirem sobre a coragem de Antonio Salas, talvez o facto de se ter circunsisado para que a sua identidade fosse credível retire as dúvidas.

A crónica destes seis anos de infiltração nas redes de terrorismo mais temidas e ainda activas no nosso mundo actual é aterradora.

O Palestiniano é um livro obrigatório para se conhecer o mundo em que vivemos, onde o Oriente, o Islão e o Islamismo já não são assim tão distantes.

Mais uma vez o autor se expõe aos leitores, nas suas fraquezas e medos através das suas confissões, algumas delas que quase nos levam a querer confortá-lo de tão intensa é a sua vivência.

Podia estar aqui horas a escrever sobre este livro, mas termino apenas com o aleya do Sagrado Alcorão que está na contracapa do livro:
"Nenhum ser sabe com quem se vai deparar amanhã, 
nem ser algum sabe em que terra vai morrer..."
Sagrado Alcorão, 31, 34

Prós: Tudo. A escrita do autor, que se desenrola como se estivesse a conversar connosco numa tranquila espalanada. As vivências que nos transmite, os conhecimentos, a intensidade.

Contras: Neste livro apenas encontro um contra, que pode ter sido a garantia de sobrevivência do autor - a infiltração acaba sem um fim planeado. Mas no rumo que tomava, o fim podia ser fatal.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"A Morte Oportuna" - Jacques Pohier

Título: A Morte Oportuna

Autor: Jacques Pohier

Tradutor: Gemeniano Cascais Franco

Editora: Editorial Notícias

Edição: 1.ª Edição - Julho de 1999

Páginas: 320


Sinopse:

"Poderá haver uma "morte oportuna"? A morte não é sempre, por definição, inoportuna? Na sua advertência ao leitor, Jacques Pohier refere aqueles que, marcados por uma doença invencível, se encontram sujeitos a violentíssimos sofrimentos, chegando ao ponto de "deseehar que a morte ponha cobro às suas provocações". O objectivo deste livro é discutir o nosso próprio olhar sobre a morte, ou melhor, sobre uma vida que passou a considerar a morte, não como uma entidade exterior, mas sim como uma componente interior. O autor manifesta-se contra a dependência terapêutic ou contra as decisões sobre tratamentos tomadas por outros: segundo ele, cada um deve ter o direito de poder decidir a data e a forma da sua própria morte. Para que isso se torne possível, será necessário alterar a legislação vigente"



Opinião:

Um livro fantástico!!! Para quem gostar de er sobre estes assuntos, recomendo vivamente. O autor foi dominicano entre 1949 e 1989. Entre as suas obras destaca-se o livro "Quand je dis Dieu", livro que originou a sua exoneração da igreja católica. Depois de ser ver privado da sua licença de teólogo, trabalhou para a Associação para o Direito de Morrer com Dignidade, da qual foi secretário-geral e por fim presidente. É com base nessa sua experiência que surge este livro, uma profunda reflexão sobre o direito de cada um poder escolher o momento da sua morte. Não é uma apologia ao suicídio, mas antes uma defesa de uma vida digna, optando por uma morte consciente e "oportuna".

Um livro que fala da morte com um extremo carinho e respeito pela vida.

Um livro que apesar de ir ao encontro de muitas das ideias que professo, me fez reflectir de forma profunda sobre estas questões. Adorei!!!

Prós: O tema, muito bem desenvolvido, sem juízos de valor ou moralidades. A seriedade e respeito com que o tema é abordado.

Contras: Não é bem um contra, pois sabemos que o autor se baseia na sua vivência, mas as partes em que a legislação é analisada pode tornar-se mais abstrato por não ser a nossa realidade legislativa.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"A Rainha no Palácio das Correntes de Ar" - Stieg Larsson

Título: A Rainha do Palácio das Correntes de Ar
Autor: Stieg Larsson
Tradutor: Mário Dias Correia
Editora: Oceanos
Edição: 2.ª Edição
Páginas: 715

Sinopse:

"Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas…
Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho.Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?"



Opinião:

Neste terceiro e último livro da Colecção Millennium, Lisbeth Salander assume o papel central da história, e há medida que esta se vai revelando, o título do livro desvenda-se. Lisbeth é a Rainha num sistema que parece perfeito, mas que na realidade está repleto de falhas: um Palácio com muitas correntes de ar...

Lisbeth Salander, a hacker, a mulher que parece uma adolescente, que tem dificuldades de relacionamento interpessoal, é acusada de um triplo homicídio. Mikael Blomkvist e Dragan Armanskij parecem ser os únicos a acreditar na sua inocência e unem esforços para o provar.

Enquanto a prova de inocência de Lisbeth se constrói, vamos conhecendo uma outra mulher. Uma mulher que foi menina e que é perseguida por tentar  fazer justiça.

Afinal, quem é Lisbeth Salander? Só ficará a saber com a leitura deste livro, que recomendo.

Prós: A escrita cativante, a construção psicológica da personagem Lisbeth Salander e o ritmo da história.

Contras:  A personagem de Lisbeth Salander assume por vezes características que a fazem assemelhar a uma herína de banda desenhada. 


quarta-feira, 25 de maio de 2011

"A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo" - Stieg Larsson

Título: "A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo"
Autor: Stieg Larsson
Tradutor: Mário Dias Correia
Editora: Oceanos
Edição: 3.ª Edição
Páginas: 611


Sinopse:

"Depois de uma longa estada no estrangeiro, Lisbeth Salander regressa à Suécia, cede o pequeno apartamento onde vivia à sua amiga Miriam Wu, e instala-se luxuosamente numa zona nobre da cidade. Pela primeira vez na vida é economicamente independente, mas cedo percebe que o dinheiro não é tudo: não tem amigos nem família e está só. Mikael Blomkvist, que tenta contactar Lisbeth Salander durante meses, sem sucesso, desiste e concentra-se no trabalho. À Millennium chegou material para uma notícia explosiva: o jornalista Dag Svensson e a sua companheira Mia Johansson entregam na editora dois documentos  que provam o envolvimento de personalidades importantes numa rede de tráfico de mulheres para exploração sexual. Quando Dag e Mia são brutalmente assassinados, todos os indícios recolhidos no local do crime apontam um suspeito: Lisbeth Salander. O seu passado sombrio e pouco convencional não abona a favor da sua imagem e a polícia move-lhe uma implacável perseguição. Lisbeth Salander, que está disposta a romper de vez com o passado e a punir aqueles que a prjudicaram, tem agora de provar a sua inocência e só uma pessoas parece disposta a ajudá-la: Mikael Blomkvist que, apesar de todas as evidências, se recusa a acreditar na sua culpabilidade."

Opinião:

Se no primeiro livro de Stieg Larsson, fiquei um pouco desiludida, com este segundo fiquei bastante agradada.

A história centra-se em Lisbeth Salander, que ao longo do livro nos vai dando a conhecer a sua história, fazendo com que o leitor simpatize e empatize com a personagem. 

Acusada de um triplo homicídio, Lisbeth é obrigada a viajar ao seu passado e a enfrentar os fantasmas que a perseguem. Só Mikael Blomkvist, com quem ela cortara o contacto há um ano, se recusa a aceitar a sua culpabilidade, e continua a procurar o seu paradeiro. Quando descobre o local onde Lisbeth tem vivido, ela já desaparecera. Será tarde de mais?

Prós: A escrita e o desenrolar dos acontecimentos fazem com que o leitor se envolva na narrativa.

Contras: A personagem de Lisbeth, é uma personagem cativante, mas em determinados momentos assume características de quase super herói, pouco convincentes e realistas.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Assassinos Escondidos" - Robert Wilson

Título: Assassinos Escondidos
Autor: Robert Wilson
Tradução: Certas Palavras, Lda.
Editora: Dom Quixote
Páginas: 417

Sinopse:

"Enquanto o inspector Javier Falcón investiga um cadáver mutilado e sem rosto, horrendo, encontrado numa lixeira municipal, a encantadora cidade de Sevilha é abalada por uma explosão enorme, que tem efeitos devastadores num prédio de apartamentos e também num jardim de infância vizinho. Descobre-se, depois, que na cave do prédio existia uma mesquita, e claro que todos se sentem apavorados com a ideia de uma ameaça terrorista.

O calor denso do Verão sevilhano está no seu auge. O terror invade a vida quotidiana, mas, numa cidade em alerta vermelho, Falcón percebe que nem tudo é o que parece. E, quando sabe que lhe falta muito pouco para resolver aquele caso, é confrontado com uma descoberta realmente assustadora.

É que talvez não vá a tempo de evitar uma catástrofe gigante, que ultrapassa as fronteiras de Espanha."

Opinião:

Estou, decididamente , fã de Robert Wilson!!! A sua escrita é absorvente, contagiante e as suas personagens tão reais que podem ser qualquer pessoa com quem nos cruzamos na rua ou nos transportes.

"Assassinos Escondidos" tem por base o terrorismo e os medos dos espanhóis após o 11 de Março.  

Javier Falcón, inspector da Brigada de Homicídios, investiga o assassínio de um homem, encontrado numa lixeira, sem mãos, com o rosto desfigurado por ácido e sem escalpe. A causa da morte parece ter sido envenenamento por cianeto. Mas o mais estranho é que parece ter existido algum respeito pelo corpo, que foi envolto numa espécie de sudário. Mas, durante esta investigação, Sevilha é abalada por uma forte explosão. Um bloco de apartamentos é devastado e um jardim infantil afectado pela explosão. Morreram crianças, mulheres, pessoas que passavam na rua, homens que estava a sair de casa para o trabalho,... 

As dúvidas sobre a origem da explosão depressa de desfazem, quando se torna conhecida a existência de uma mesquita na cave de um dos prédios afectados. Aliás, esse prédio foi o epicentro da explosão. Daqui em diante, os investigadores vêm-se envolvidos numa investigação sem precedentes. Brigada de Homicídios, Anti-Terrorismo, Serviços de Informação, Secretas, o partido político Fuerza Andalucía, todos estão envolvidos, e alguns talvez estejam demasiado envolvidos. 

Enquanto a investigação se desenvolve, Falcón tem ainda de lidar com o seu passado, e com a morte da sua ex-mulher, vítima de maus tratos infligidos pelo seu actual companheiro, que é o juiz que se encontra à frente de toda a investigação.

Numa história em que tudo se interliga, a realidade nem sempre é o que nos parece mais óbvio.

Prós: A escrita, a história as personagens, que nos prendem desde o início e se desenvolvem de forma que nos parece estar a acontecer ao nosso lado.

Contras: Talvez o final, que surge de forma um pouco abrupta.

domingo, 27 de março de 2011

" Deus das Moscas" - William Golding

Título: "O Deus das Moscas"
Autor: William Golding
Tradutor: Luís de Sousa Rebelo
Editora: Público - Colecção Mil Folhas
Edição: Maio 2002
Páginas: 222

Sinopse:

"Com 14 milhões de cópias vendidas só nos países de língua inglesa, O Deus das Moscas toma lugar de pleno direito no círculo restrito das obras da grande literatura que conseguem realizar tiragens de bestseller de enorme consumo.  Romance de estreia do então pouco conhecido William Golding, o livro foi publicado em Inglaterra, em 1954, graças ao caloroso apoio de T. S. Elliot, mas o grande sucesso chega com a edição económica publicada nos Estados Unidos em 1959, que se torna um verdadeiro objecto de culto, sobretudo junto do público jovem.

Ainda que de cativante haja bem pouco no romance: na sequência de um desastre aéreo ocorrido durante um conflito planetário, um grupo de meninos e rapazes encontra-se numa ilha deserta sem qualquer adulto. Pareceria a situação ideal para experimentar uma organização social fundada na liberdade natural, mas a pouco e pouco o grupo é invadido pelos medos e pelas inseguranças dos seus vários elementos, que afrouxam o controlo racional e deixam vir à tona um instinto agressivo e selvagem: um instinto capaz de destruir qualquer forma de colaboração ou solidariedade e que conduz a um desfecho trágico que, a partir de um certo momento, parece ser verdadeiramente inevitável.

Romance de tese sobre a naturalidade do mal, O Deus das Moscas é todavia toda uma perfeita máquina narrativa, na qual as dinâmicas incansáveis do entrecho se fundem com uma subtil e aturada análise da psicologia infantil e com uma profunda mas desolada reflexão sobre os fundamentos antropológicos da violência e da ânsia de poder."

Opinião:

Já há muito que tinha curiosidade em ler este livro. E não me arrependo nada de o ter lido. O Deus das Moscas, não é um livro doce, sobre um grupo de crianças numa ilha deserta e a sua luta pela sobrevivência. É sim, um livro duro e cruel sobre um grupo de crianças que sobrevive numa ilha ilha deserta e as suas dicotomias entre sobrevivência, salvamento, poder e liderança.

Rafael é eleito o chefe, e a sua preocupação é manter uma fogueira acesa para que o fumo possa ser visto ao largo da ilha pelos barcos que possam passar e assim, serem salvos. Jack, chefe de um grupo de miúdos que faziam parte de um coro, é um outro elemento que se destaca, cuja preocupação é caçar os porcos da ilha para se alimentarem. 

Rafael e Jack, dois líderes no mesmo espaço, dois interesses de sobrevivência: alimentação e salvamento. 

Rafael tenta organizar todo o grupo, de forma a construir abrigos e manter a fogueira acesa dia e noite. É seguido por Bucha, miúdo que pela sua aparência física (gordo e míope) sempre foi alvo do gozo dos outros, pelo que é inseguro e pouco confiante.

O grupo acaba por se dividir, de um lado Rafael, de outro Jack. Quem irá realmente sobreviver? Na luta pela sobrevivência, fogo e mortes marcarão a vida destes miúdos, para além da fera que alguns dizem ver. 

Uma história fria, cruel e que nos faz pensar na origem da mal.

Adorei!!!

Prós: A história, diferente de tudo e o estudo sociológico que a mesma contém sob a forma de romance.

Contras: sem dúvida, a tradução.

"Águas Calmas" - Tami Hoag

Título:  "Águas Calmas"
Autor: Tami Hoag
Tradutor: Maria Filomena Duarte
Editora: Temas e Debates
Edição: 1.ª Edição
Páginas: 448

Sinopse:

"Quando o cadáver de um homem assassinado cai literalmente aos pés de Elisabeth Stuart, ela consegue limpar o sangue mas não afstar o terror. Ela e o filho adolescente e problemático, recém-chegados a Still Creek, são tratados com desconfiança pela gente local, incluindo o xerife. Todavia, nada irá impedi-la de procurar a verdade... excepto o assassino. Fugindo de um divórcio atribulado, Elizabeth estava convencida de que poderia iniciar uma nova vida junto do filho numa pequena cidade de província. Mas a idílica Still Creek, encaixada no coração das searas luxuriantes dos Amish, esconde segredos suficientemente perigosos para levar alguém a cometer um crime. Agora, Elizabeth tem de arriscar tudo para desmascarar o assassino... antes que a corrente do mal que atravessa Still Creek a arraste para o fundo"

Opinião:

Já não é novidade para ninguém que sou fã da Tami Hoag, da trama das suas histórias e das suas personagens. E este livro é mais um a confirmar aquilo que gosto na sua esrita: as personagens são tão bem desenvolvidas, que ao fim de algumas páginas, a leitura torna-se um diálogo entre o leitor e as personagens da história, que passam a fazer parte do nosso imaginário de uma forma tão real que parece que as conhecemos.

A história circula em torno de um homem assassinado e da mulher que descobre o corpo: Elizabeth Stuart. Elizabeth é uma estranha na cidade, mas ela e o seu filho adolescente são olhados como se fossem a encarnação do mal. Ela, divorciada duas vezes, é vista como uma pecadora, mulher fácil e caprichosa, que usa os homens apenas para conseguir luxos. O seu filho adolescente, problemático, é o alvo perfeito para tudo o que acontece de errado na cidade.

Ao longo da história, a vida de Elizabeth cruza-se com o xerife, ex-estrela de futebol, divorciado, com uma filha adolescente e fantasmas do passado por resolver.

Uma história que é mais romance que policial, mas que cativa o leitor desde a primeira página.

Brilhante!!!

Prós: a escrita cativante de Tami Hoag e as personagens apaixonantes e tão reais.

Contras: apenas o facto de o lado policial da história ser absorvido pelo lado mais "romance"

domingo, 27 de fevereiro de 2011

"As Regras de Moscovo" - Daniel Silva

Título: As Regras de Moscovo
Autor: Daniel Silva
Tradutor: Vasco Teles de Menezes
Editora: Círculo de Leitores
Edição: Janeiro 2010
Páginas: 441

Sinopse:

"A morte de um jornalista leva Allon à Rússia, onde descobre que, no que diz respeito à arte da espionagem, até ele tem alguma coisa a aprender. Agora, está a jogar segundo as regras de Moscovo. E na cidade existe uma nova geração de estalinistas que conspiram para reivindicar um império perdido e desafiar o domínio global de um velho inimigo: os Estados Unidos da América. Um desses homens é Ivan Kharkov, um antigo coronel do KGB que construiu um império de investimento global sobre os escombros da União Soviética. No entanto, no interior desse império existe um negócio lucrativo de armas, e Kharkov está prestes a entregar as mais sofisticadas da Rússia à al-Qaeda."


Opinião.

Daniel Silva tem o dom de escrever de forma a agarrar o leitor desde a primeira página. "As Regras de Moscovo" é uma história de espionagem que foca factos da actualidade e se baseia nos medos contemporâneos da humanidade, medos esses que despertaram na nossa consciência após o 11 de Setembro.

As personagens já fazem parte do nosso círculo de "amigos literários" e foi bom reencontrá-los ao fim de algum tempo (o último livro de Daniel Silva que li já foi há mais de um ano).

Gostei da história, apesar de não ser nada de "espectacular", e faz um bom retrato da Rússia actual, um país que vive em busca de uma identidade, depois de ter perdido a identidade "grandiosa" com que sempre viveu.

Um bom livro.

Prós: O retrato histórico da Rússia. A escrita que prende o leitor.

Contras: Esperava mais desenvolvimento sobre o tráfico de armas e as ligações do KGB à al-Qaeda.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Não há palavras" - Zhang Jie

Título: Não há palavras
Autor: Zhang Jie
Tradutor: José Colaço Barreiros (a partir da versão italiana de Maria Gottardo e Monica Morzenti)
Editora: Gradiva
Edição: 1ª edição
Páginas: 290 (incluindo glossário)

Sinopse:

"Não há palavras para exprimir a força de um sentimento que arrasta consigo a alma e muitas vezes a seca ao ponto de a tornar para sempre árida, ou que, pelo contrário, a enche ao ponto de extravasar, apagando a razão.

Esse amor inexprimível está aqui, nas páginas deste romance:  homens e mulheres à mercê dos sentimentos, que vivem as suas vidas unidos e separados por vicissitudes e paixões - tendo como fundo um país imenso, antiquíssimo, de civilização rica e complexa, que mudou com inaudita rapidez e violência no breve espaço de um século.

Não Há Palavras tem a respiração profunda da época que narra - o século XX - e o sabor do quotidiano nas suas personagens grandes e pequenas, mesquinhas e verdadeiras, com fraquezas mas também capazes de um extraordinário heroísmo."


Opinião:

Tal como quase todos os livros chineses, este livro retrata de uma forma muito real e sem floreados, a vida de duas mulheres - Wu Wei e Bai Fan  - e de um homem - Hu Bingchen.

A vida destas três personagens entrelaça-se numa trama de marido, mulher e amante, onde os sentimentos são vivios de forma magnífica. Não é uma história de amor, é mais uma história de sofrimento, egoísmo, de sobrevivência, mas não deixa de ser uma história brilhante.

Acompanhamos as personagens ao seu passado e compreendemos a dor do seu presente, enquanto, sem máscaras, a história nos vai mostrando uma China que vive procurando o equilíbrio entre o seu passado rural e o presente ocidentalizado.

Um bom livro, que não se devora, mas que nos obriga a saborear...

Prós: Para além da escrita magnífica, o facto de fazer um retrato de uma China em transição.

Contras: Não é um contra do livro, mas como não estamos habituados aos nomes chineses, no início torna-se difícil distinguir as personagens femininas das masculinas

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Um Ano no Tráfico de Mulheres" - Antonio Salas

Título: Um ano no tráfico de mulheres
Autor: Antonio Salas
Tradutor:João Pedro George
Editora: Livros d'Hoje
Edição: 1.ª Edição
Páginas: 444

Sinopse

"Ao longo de um ano Antonio Salas, o autor de Diário de um Skin, fez-se passar por um traficante de mulheres à procura de pistas para desmascarar o sórdido e miserável mercado do sexo. As suas conclusões são chocantes!

«Todos conhecemos também alguma criança de treze anos; uma filha, uma irmã, uma neta, uma vizinha... Eu lembrei-me de Patrícia, a filha da minha ex-cunhada, e por um instante imaginei-a a ela nas garras de uma rede como a do mexicano. Imaginei-a vendida como uma boneca de trapos humana e colocada a trabalhar num qualquer bordel de luxo para clientes exigentes. Visualizei-a sendo manuseada por um empresário babado, suado e seboso como Manuel. E mal consegui conter a minha ira. [...] Graças a Deus, aquele arrebate durou-me apenas uns instantes. Sou um investigador e não um piquete de linchamento, mas a verdade é que a investigação estava a passar dos limites. Torna-se difícil entrar no papel de um sacana sem escrúpulos, como supostamente são todos os traficantes de seres humanos e de drogas, e evitar que a representação não te devore.»

«Nesta viagem até ao inferno, o autor sentiu compaixão, lástima, ira, desejo, culpabilidade, frustração, asco, impotência e, acima de tudo, tristeza. Uma imensa tristeza.»

«Se tivesse conseguido prever a angústia e o desespero que ia experimentar ao infiltrar-me neste mundo perverso, talvez nunca tivesse iniciado esta investigação.»"


Opinião:

Há livros que todos devíamos ler, por serem brilhantes obras de literatura, por contarem histórias fantásticas, por serem lindos.

E há livros que todos devíamos ler, por serem o relato do mundo, da vida, da podridão, da crueldade que a maioria de nós nunca conhecerá mas com a qual convivemos diariamente. Este é um desses livros.

"Um ano no Tráfico de Mulheres" é o relato da investigação que António Salas, autor de "Diário de um Skin" fez, durante um ano em que se infiltrou nas redes de tráfico de mulheres em Espanha.

De bordel em bordel, da prostituição de rua à prstituição de luxo, o autor vai conhecendo e relatando histórias, para as quais muitos dos leitores podem não estar preparados para conhecer. Histórias de mulheres que são trazidas da Nigéria, Roménia, Colômbia, México, Brasil em condições miseráveis e que em Espanha são obrigadas a prostituírem-se sob ameaças, escravidão, maus-tratos e tudo o que não somos capazes de imaginar.

Um livro de linguagem dura, crua mas real. Um relato sem 2cosmética" literária, que nos arrepia a cada página, a cada história, a cada mulher descoberta, a cada traficante desmascarado.

No entanto, um livro que nos dá um conhecer um Homem com H grande, capaz de sentimentos que nos deixam comovidos. Um Homem que sofre com o que vê e investiga e nos deixa, muitas vezes, com o olhar turvo.

Um livro fantástico escrito por um homem admirável!

Deixo agora algumas passagens do livro:

"De facto, à medida que ia aprofundando esta investigação, vi-me obrigado a reconsiderar uma e outra vez os meus conhecimentos sobre anatomia. Finalmente, concluí que a medicina e a fisiologia erram ao considerar que os órgãos humanos se situam na mesma parte do corpo tanto no caso das fêmeas como dos varões. Sem dúvida, o cérebro masculino não se encontra alojado dentro do crânio, mas sim em algum ponto dos genitais, o que me conduz à firme convicção de que, no nosso caso, doenças como a sífilis, a gonorreia ou os chatos poderiam ser consideradas perturbações mentais..." (páginas 227/228)

"Uma rapariga bonita e «trabalhadora» pode ir para a cama, em cada dia, com dez ou quinze homens diferentes. Atirando por baixo, um serviço completo oscila entre os trinta euros da rua e os sessenta de um clube. Suponhamos que uma rapariga ganha uns quinhentos euros ao dia e que, num esbanjamento de generosidade, a deixamos descansar um dia em cada sete. Teríamos uma receita de três mil euros por semana ou, o que vai dar no mesmo, uns treze mil e quinhentos euros por mês e por cada uma. Só com aquele carregamento de seis raparigas, nós embolsaríamos cerca de oitenta e um mil euros por mês (...). ( página 262)

"Quando dei a volta à primeira esquina e os perdi de vista, não aguentei mais e vomitei em pleno passeio, salpicando as minhas calça. Apesar de ter despejado tudo o que tinha no estômago, não consegui libertar-me da vergonha e do asco, que ainda hoje continuam dentro de mim. Vergonha e asco pelo género humano. Especialmente pelo masculino. Desde então, fiquei a saber que as redes de prostituição infantil são uma realidade." (página 368)

Prós: Tudo.

Contras: Não tem.

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