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sábado, 16 de fevereiro de 2008

As Palavras

Foto de Nuno Mariano


À palavra viva é que eu tenho amor
Salta tão jovial ao nosso encontro,
Saúda com gestos graciosos
É bela, mesmo sem jeito,
Tem sangue, é capaz de esbanjar com brio,
E então entra até nas orelhas de um surdo
Encaracola-se e pôe-se a voar,
E em tudo o que faz - a palavra encanta.

Mas a palavra é um ser dedicado,
Ora doente, ora outra vez sadia.
Se lhe queres poupar a pequenina vida,
Tens de lhe pegar com leveza e graça
Sem a apalpares, nem apertares à bruta.
Que ela morre por vezes já de um mau olhar
E aí, fria, ela tão desfigurada
Tão sem alma, pobre e fria,
O seu corpinho a tal ponto transformado,
Da morte e da agonia mal tratado.

Uma palavra morta - feia coisa,
Um chocalhante e seco cling-cling-cling.
Fora esses ofícios hediondos
Que fazem morrer as palavrinhas


(Friedrich Nietszhe, Poemas)

sábado, 3 de novembro de 2007

O meu professor de Filosofia

Há pessoas que ao longo das nossas vidas nos vão marcando de forma decisiva. Para mim, uma dessas pessoas foi o meu primeiro professor de Filosofia.

A forma apaixonada com que fazia o seu trabalho, a dedicação com que dava as aulas, sempre foram, para mim, um modelo a seguir.

Aquele homem conseguia dar as suas aulas porque nos dava o que nós queríamos: uma nova realidade, novas formas de questionar o que nos era apresentado como verdade, sentido crítico. Nas suas aulas, aquele grupo de jovens vestidos de preto, com correntes à cintura, cruzes e caveiras, fazia-se ouvir, podia expor as suas ideias tantas vezes apelidadas de anárquicas. E em resposta, lá vinha mais um autor e as suas ideias, umas vezes concordantes, outras nem por isso, mas sempre a aprendermos que até para defendermos aquilo em que acreditamos é importante conhecer o contraditório.

Foi nas suas aulas que conheci Freud, Nietzsche, Einstein, Salvador Dali, as teorias do Caos, da Relatividade, o Big Bang, o Surrealismo, o Niilismo,...

Quantas vezes foram as letras das músicas que ouvíamos o mote para uma qualquer matéria... Numa idade em que queremos mudar o Mundo, um professor mostrou-me que isso é possível: se todos mudar-mos e melhorar-mos o nosso Mundo, o Mundo de todos é mudado e melhorado.

Ainda hoje, quase 19 anos passados (tenho agora a idade que o professor tinha naquela altura), lembro o Professor Álvaro Daniel Formigo Nunes, como um dos grandes mestres da minha vida.

E aqui fica uma música que esse professor assobiava enquanto nós fazíamos os testes.
http://www.youtube.com/watch?v=kPp_0sOZr4E

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