quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Proibida venda de livro de Gonçalo Amaral

Estou indignada, estupefacta, revoltada, irritada, enfim estou mesmo com o mau feitio. E a culpa é desta notícia, publicada no semanário SOL:

"A 13ª Vara Cível de Lisboa deferiu hoje a providência cautelar apresentada pelo casal McCann, pais de Maddie – desaparecida na praia da Luz em Maio de 2007 – no sentido de proibir a venda do livro de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, que defende a tese de que seriam os pais os responsáveis pelo desaparecimento e morte da criança.

O livro Maddie – A Verdade da Mentira não pode ser vendido a partir de hoje, e todos os exemplares que haja em banca ou armazém deverão ser recolhidos. O tribunal decidiu também acolher o pedido do casal McCann de proibir a distribuição do filme com base no mesmo livro, que chegou a ser exibido pela TVI. O tribunal intima a Valentim de Carvalho e a Guerra e Paz a recolherem todos os livros que ainda tenham para venda nas livrarias, proibindo-as de cederem para outros países os direitos de exibição do vídeo e de venda do livro. Segundo a mesma decisão, as editoras não podem publicar estes ou outros livros ou vídeos que defendam a mesma tese. Por fim, proíbe Gonçalo Amaral de fazer declarações sobre o conteúdo do livro ou do vídeo."

Para quem ainda tinha dúvidas, passo a esclarecer: isto É CENSURA!!! De expressão, de investigação, de liberdade de imprensa, de opinião, ...

Socorro!!!! Alguém viu a liberdade a passar por aí?


P.S.: Se calhar é melhor dizer isto baixinho (não vão eles encerrar-me o blogue), mas podem ler a minha opinião sobre este livro aqui.



9 comentários:

filomeno2006 disse...

¿Siempre se podrá comprar en la vecina España?

Isabel Maia disse...

Na minha terra diz-se que quem não deve, não teme. Se esses senhores têm tantos problemas com o Gonçalo Amaral, com o livro e com o filme é porque há algo que está mal. Será consciência pesada, culpas no cartório? Fica a pergunta no ar...

Homem do Leme disse...

Filomeno,

não sei se o livro foi editado em Espanha...

Isabel,

neste caso ficam até muitas, demasiadas perguntas no ar. Mas cada vez me convenço mais que quem manda não são a razão, a justiça, a verdade ou a liberdade, mas sim a hipocrisia, o cinismo e especialmente os interesses.

filomeno2006 disse...

Editado y Superventas.

Alex disse...

Leia-se ... foi proibido EM PORTUGAL!!!!!!!!, porque nos outros países, ninguém tem medo dos Ingleses... Estas coisas agonia-me !

(bom trabalho!)

Blog de um Brasileiro disse...

Aos pouquinhos, de forma subreptícia, a a censura reaparece. Mas isso está acontecendo em quase todo o mundo democrático. Ela vem travestida de justiça e outros nomes.
Será esse o paradigma do novo milênio???
Abraços
Blog de Um Brasileiro

Rodrigues Vaz disse...

Não consigo compreender-vos. Como jornalista que sou -e tenho-me por honesto na minha profissão, sei, antes de mais, que a minha liberdade acaba onde começa a dos outros. Pelo que li e pelas delcarações do senhor Gonçalo, a sua presunção, de que os pais de Maddie são culpados, é apenas uma presunção, tal como eu presumo de que a sua teoria é apenas uma presunção. Mas, se se vier a provar que é apenas uma prersunção o mal já estará feito. Eu sei que vocês são muito honestos e cuidadosos, portanto, como embarcam nisto?
Rodrigues Vaz

Homem do Leme disse...

Rodrigues Vaz,

muito obrigada pela sua visita e comentário. O que diz é verdade, mas não será extemporâneo retirar de mercado um livro publicado há um ano? E não terá a comunicação social na altura feito todos os julgamentos e até explorações da vida alheia? O livro apenas resume tudo o que foi discutido na altura em todos os meios de comunicação social. E os outros livros sobre Maddie? Não têm também de ser retirados de mercado? E os jornais que avançaram com teorias idênticas e até muito mais mórbidas? É que tudo o que foi dito acerca deste caso não passa de presunções (e creio que nunca disso vai passar).

A minha indignação não é por ser o caso Maddie nem por ser Gonçalo Amaral, mas sim pelo precedente que se abre.

Outros casos de polícia existem, em que arguidos, testemunhas e outros tais escrevem livros, ou contam as histórias para que outros os escrevam, com a sua versão dos factos. Nunca vi, em nenhum deles, ser retirado de venda um único exemplar.

O grande mal está no "circo" que hoje em dia se faz destes casos, na luta pela audiência. Depois de se permitir isso, de se permitir que os envolvidos nas investigações e responsáveis por elas se envolvam nesse "circo", que escrevam livros sobre os casos, que comentem nos meios de comunicação social, retira-se de mercado um livro?! Confesso que não percebo.

Homem do Leme disse...

Não me indignaria se o decidido fosse: não permitir a publicação fosse do que fosse sobre o caso, até este estar encerrado, independentemente de ser abonatório ou acusatório.

O que me indigna, e considero de censura é o facto de "Segundo a mesma decisão, as editoras não podem publicar estes ou outros livros ou vídeos que defendam a mesma tese". Ou seja, se a tese defendida for outra, já se pode publicar, comentar, falar, escrever,ceder, vender,...

É esta imparcialidade que é censura e censurável. Pelo menos para mim.

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