domingo, 8 de novembro de 2009

"O Último Setembro em Teerão" - Dalia Sofer

Sinopse:

" Isaac Amin, um próspero joalheiro e gemologista iraniano de origem judaica, é surpreendido uma bela manhã pela presença de dois guardas da revolução, que o prendem, acusando-o de ser espião da Mossad, devido à sua riqueza - incompatível com a austeridade do regime de Ayatollah -, às suas viagens frequentes a Israel e ainda a uma ligação ao Xá deposto. Dalia Sofer descreve com vivacidade e realismo o ano que se segue à prisão de Amin, recorrendo a diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos de acordo com a situação de cada um dos membros da família. A experiência de encarceramento, tortura e extrema insegurança vivida por Amin, a ansiedade de Farnaz, que não desistirá de procurar o marido, a epopeia da pequena Shirin que a mãe considera demasiado jovem para ter consciência dos acontecimentos e, finalmente, o drama de Parviz, o filho mais velho que luta por continuar os seus estudos universitários em Nova Iorque. Um relato profundo e delicado sobre a vida de uma família dilacerada por um conflito, cultural, social e religioso entre Setembro de 1981 e Setembro de 1982. Seleccionado pelo The New York Times como um dos 100 mais notáveis títulos do ano da sua publicação."


Este livro é daqueles que quando se termina a sua leitura deixa um aperto na alma. É uma história triste, tantas vezes ouvida nos relatos das guerras do mundo. Mas a história de Isaac Amin e da sua família, faz-nos recuar a outras épocas da nossa história e pensar se afinal, apesar de com nomes diferentes, as guerras não são todas iguais.

Isaac Amin é preso, após a instauração da República Islâmica do Irão. Qual a sua acusação? Devido à sua riqueza, acumulada pelo seu árduo trabalho, e às frequentes viagens a Israel, é acusado de ser espião da Mossad. Esta acusação vê-se fundamentada pela relação da família de Amin com o Xá deposto.

Preso em Setembro de 1981, Isaac passa pelas mais humilhantes provações e dolorosas torturas, mas nunca perde a esperança de que o bem e a verdade vençam. Sempre acreditou que um dia seria libertado.

Vamos conhecendo a mulher de Isaac, Farnaz, mulher de gostos e estilo requintados, que antes da prisão do marido sente o seu casamento a distanciar-se cada vez mais. Conhecemos também os seus dois filhos: Shinrin, de nove anos, que tem amigas cujos pais fazem parte dos Guardas da Revolução, grupo que prendeu o seu próprio pai e Parviz, o filho mais velho que estuda arquitectura em Nova Iorque, e que se arrasta indolentemente enquanto espera pelo envio de dinheiro para pagar as dívidas que vai contraindo.

Ao longo da história observamos o declínio de toda uma família, perseguida e humilhada pelo seu passado que de culpa apenas tem o ter conseguido uma vida próspera, feliz e requintada.

Entre o desepero de Farnaz, a angústia de Shirin e o acordar de Parviz para o amor, a autora vai-nos dando um retrato do Irão e do fundamentalismo religioso.

À medida que avançamos na leitura vamos sentindo um misto de sentimentos, desde a tristeza até à revolta. Conseguimos sentir o vazio que se sente quando a injsutiça impera.

Uma história que nos relata o quão ganancioso, malévolo, vingativo e arbitrário consegue ser o ser humano, quando os seus actos são justificados pela existência de uma força superior.

Um livro excelente, com uma escrita que conduz o leitor para o interior da história como se dela fizesse parte e com uma história profunda, que nos faz pensar no sentido da vida.

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