sábado, 8 de agosto de 2009

"O Leitor" - Bernhard Schlink

SINOPSE:

"Em 1960, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Ele é apenas um adolescente. Ela é uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta e finalmente fazem amor. Mas este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece subitamente.

Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsábel por vários crimes."


O Leitor é um livro que me deixou uma sensação estranha quando o terminei de ler. Ao mesmo tempo que impõe uma reflexão sobre os sentimentos, a culpa, o amor e a incerteza, provocou-me uma sensação de iliteracia sentimental. Não consigo amar ou odiar as personagens.

Michael é iniciado sexualmente por uma mulher mais velha - ele tem 15 anos e ela 36. Ele é um adolescente inseguro e ela uma mulher madura.

A relação de Michael e Hanna é pautada pelo autoritarismo dela, e pela submissão dele. No prórpio ritual que se estabelece entre eles é visível a supremacia dela: é ela quem lhe dá banho e é para ela que ele lê. Depois, o prazer disfrutado por ambos é vivido por Michael com a intensidade e deslumbramento próprios da adolescência, enquanto para Hanna não parece ser o mais intenso de todo o tempo passado juntos, mas como que uma gratificação a si mesma por algo que se julga merecedora.

Quando a relação entre ambos termina, devido ao súbito e inesperado desaparecimento de Hanna, esta deixa marcas em Michael, das quais nem o próprio se apercebe de imediato.

O reencontro entre ambos acontece numa sala de tribunal, muitos anos mais tarde, onde são acusadas ex-guardas de campos de concentração. Hanna é uma dessas mulheres. Michael vai então descobrindo a vida de Hanna através de um julgamento que simboliza o julgamento de uma geração passada por uma geração que renuncia e se envergonha dos seus antecessores, mas que ainda não encontrou o seu lugar no presente de forma a construir um futuro do qual se orgulhe.

Michael descobre que o ritual partilhado com a sua amada era uma réplica do que Hanna fazia nos campos de concentração: escolhia raparigas jovens e fracas, acolhia-as nos seus aposentos e estas liam para ela. É também durante o julgamento que Michael descobre o segredo de Hanna, e compreende o seu comportamento.

Durante toda a sua vida, Michael é assombrado por sentimentos confusos de cupla, de amor-ódio que lhe toldam as relações que estabelece. Hanna está tão presente na sua vida que é ela quem ele procura mesmo quando a rejeita e se nega a visitar na cadeia.

Duas personagens fascinantes, uma história profunda e dolorosa. No entanto não me consigo decidir pela Hanna autoritária, fria e calculista, que se aproveita do desejo e deslumbramento adolescentes para se satisfazer, ou pela Hanna, mulher que sofre em silencia com o seu segredo, que se envorgonha de si própria e que encontrou uma forma de sobrevivência camuflada pelo hedonismo e iliteracia emocional. Também não me consigo decidir pelo Michael, jovem adolescente usado e deixado com um profundo sentimento de perda e culpa ou por Michael adulto, que através da observação do declínio de Hanna vive uma espécie de superioridade moral, um sentimento de justiça feita, de vingança por um passado e pelo seu abandono, camuflado pela sua presença constante na vida de Hanna.

Enfim, um livro muito bem escrito, com uma história perturbadora e personagens plenas de ambiguidade.


3 comentários:

Anónimo disse...

Muito Obrigada pela sugestão. Estava indecisa sobre a possível leitura deste livro, mas agora vou comprar.

Um beijinho e bom fim de semana

Rosário Barata

Homem do Leme disse...

Obrigada Rosário,

é sempre bom saber que aquilo que escrevo contibui para uma escolha.

marcia disse...

Gostei de ler a tua opinião. Quanto a mim este livro vale muito a pena. Ainda não tive oportunidade de ver o filme...

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