domingo, 4 de abril de 2010

Será um regresso...?

O mês que passou foi um mês complicado, o que se reflectiu neste espaço que bateu o record de mês com menos posts publicados. Mas não andei mesmo com paciência, nem em grandes condições para me sentar e escrever algo com sentido e interesse (pelo menos com interesse para quem lê, se é que escrevo algo interessante...).
A minha operação, que estava agendada para Março não se concretizou pois a seguradora não aprovou o pedido do médico na íntegra. E como nós, seres humanos, estamos para os seguros de saúde como estão os carros para os seguros automóveis, isto é, custos, lá estou eu à espera (ainda!) que a seguradora se decida a aprovar o que tem de aprovar.
Enquanto isso, a minha paciência esgota-se, pois viver com dores permanentes cansa! Acreditem! E depois são as respostas que ouvimos quando nos queixamos, ou quando nos perguntam o que temos e, com sinceridade dizemos que são dores: as respostas variam do "foi qualquer coisa que comeste", "deve ser dos chocolates" até coisas do género "eu hoje também já tomei um comprimido para as dores de cabeça, devias tomar um também". Não, não foi dos chocolates nem de algo que tenha comido e os comprimidos para as dores também não resultam. Não me dói a barriga porque como doces nem passa se tomar 500 comprimidos, pois são dores tão intensas que até toldam o pensamento, que nos rasgam as entranhas e só nos apetece desaparecer... São dores físicas insuportáveis, que se transformam em dores psicológicas pelo cansaço e persistência. São noites inteiras sem dormir depois de acordar com uma dor lancinante, que por vezes quase leva ao desmaio.
Mas enfim, parece que a resolução está para breve... ou não... vamos ver...
Entretanto estou de férias, pois preciso mesmo de descansar e espero actualizar este espaço com maior regularidade.
Amanhã deixarei aqui a minha opinião sobre o último livro que li "O Senhor do Falcão". Também as leituras se têm feito a um ritmo muito mais lento que o habitual, pois há muitos momentos em que a mente apenas se consegue concentrar nas dores e em algo para as atenuar.
Mas agora com as férias e o descanço, espero melhorar e voltar a ser assídua neste espaço e nos vossos.
Obrigada a quem continua a visitar-me e a enviar mensagens.

quarta-feira, 17 de março de 2010

"Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo"´- Haruki Murakami


Título: Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Maria João Lourenço
Editora: Casa das Letras
Edição: 1.ª Edição
Páginas: 186

Sinopse:

"Em 1982, ao mesmo tempo que abandonava o lugar à frente do clube de jazz e que tomava a decisão de se dedicar à escrita, Haruki Murakami começava a correr. No ano seguinte, abalançou-se a percorrer sozinho o trajecto que separa Atenas da cidade de Maratona.
Depois de participar em dezenas de provas de longa distância e em triatlos, o romancista reflecte neste livro sobre o que significa para ele correr e como a corrida se reflectiu na sua maneira de escrever. Os treinos diários, a sua paixão pela música, a consciência da passagem do tempo, os lugares por onde viaja acompanham-no ao longo de um relato em que escrever e correr se traduzem numa forma de estar na vida.
Diário, aubiográfico, elogio da corrida, de tudo um pouco podemos encontrar aqui. Haruki Murakami abre o livro das confidências (e a sua alma) e dá a ler aos seus fiéis leitores uma meditação luminosa sobre esse ser bípede em permanente busca de verdade que é o homem."

Opinião:
Fascinante! Adorei!
Demorei mais tempo que o normal a ler este livro por dois motivos: a minha saúde fez-me diminuir o ritmo de leitura pois o cansaço já é muito e o livro convidou-me a momentos de profunda reflexão.
Neste livro, Murakami fala de si enquanto corredor de fundo. A princípio pode parecer pouco, falar de si próprio enquanto corredor, mas Murakami consegue prender o leitor a estas páginas tal como se de um dos seus romances se tratasse.
Adorei a forma como o autor de expõe, sem medos, desculpas ou críticas, mas sim com uma análise sobre si próprio. Consegue transmitir de uma forma muito clara a orientalidade que o caracteriza e que faz com que corra, não para ganhar aos outros, mas para se superar a si prórpio. Aliás, este é um dos princípios dos orientais que me agrada bastante - as coisas não se fazem para ultrapassar os outros mas para nos superarmos, para evoluirmos.
A escrita de Murakami é límpida, tal como é aquilo que ele nos mostra através das palavras: um homem que se procura superar, consciente das suas limitações, um homem que erra mas que consegue aprender e melhorar, um homem com fragilidades que se concentra nas suas forças.
Neste livro sentimo-nos tão próximo do autor que nos apetece dar-lhe um abraço.
Sem dúvida, um livro de destaque.

Prós:
A escrita de Murakami, poética, límpida, maravilhosa. A reflexão sobre cada um de nós que o livro convida a fazer.

Contras:
Não tem.

domingo, 14 de março de 2010

Irena Sendler

Há poucos dias recevi um email de uma amiga sobre Irena Sendler. Confesso que não conhecia a sua história, mas fiquei curiosa e fui pesquisando na internet.
Hoje, decidi aqui divulgar quem foi Irena Sendler, falecida em 2008 e que durante a 2.ª Guerra Mundial ajudou a salvar cerca de 2.500 vidas, arriscando a sua própria vida. Foi candidata ao P´rémio Nobel da Paz no ano em que Al Gore foi premiado.
Deixo aqui dois dos muitos links que nos dão a conhecer aquela que ficou conhecida como "o anjo do gueto de Varsóvia".


Wikipédia

AFP

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Gone, Baby, Gone" - Dennis Lehane

Título: Gone, Baby, Gone
Autor: Dennis Lehane
Tradutor: Nuno Cotter
Editora: Gótica
Edição: 3.ª Edição
Páginas: 439

Sinopse:

"Os detectives privado de Boston, Patrick Kenzie e Angela Gennaro, são contratados para tentar encontrar Amanda McCready, uma menina de quatro anos, raptada da sua própria casa, sem deixar rasto.
Apesar da vasta cobertura mediática, e da ajuda dos populares chocados com o acontecimento, a investigação policial nada consegue descobrir. Para Kenzie e Gennaro, o caso vai revelando contornos mais complexos do que aparentava ao início: a indiferença da mãe de Amanda, um casal com um historial de pedofilia e uma força policial com intenções muito duvidosas. Enquanto o tempo vei passando, Amanda permanece desaparecida, tão esquecida ao ponto de parecer que nunca chegou a existir.
Quando uma segunda criança desaparece, Kenzie e Gennaro deparam-se com mais dificuldades: uma imprensa mais preocupada em tornar o caso dos raptos num espectáculo mediático sensacionalista, em vez de tentar ajudar a resolvê-lo, resistências por parte da pólícia local e poderes ocultos que tudo fazem para obstruir os seus esforços.
Apanhados numa complexa rede de mentiras, e determinados em desvendar este mistério, Kenzie e Gennaro cedo percebem que todos os que se aproximam da verdade não regressam com vida..."


Opinião:
Gone, Baby, Gone é um policial intenso, com um ritmo alucinante, ao qual é impossível resistir.
A história de Amanda apaixona o leitor, que desaja tanto encontrar a criança como os detectives protagonistas da história.
Amanda é uma criança de quatro anos, que desaparece da sua própria casa. Os seus tios iniciam uma busca determinada para a encontrarem, mas perante a ausência de resultados (e de pistas) contratam o casal de detectives Patrick e Angela. Inicia-se assim, o revelar de uma teia que mais parece um jogo de espelhos, em que tudo o que se vê é um reflexo distorcido do que não se vê.
Vinganças, tráfico de droga, redes de pedofilia, tráfico de armas, polícias corruptos, crianças mal amadas, negligenciadas e um amor que leva às atitudes mais impensáveis, são os ingredientes desta história que não tem um final feliz.
Poderá uma criança ser mais feliz junto dos seus raptores? Será uma mãe, distante, fria e ausente, a melhor opção para uma criança que pode ser amada apesar de longe da progenitora?
Uma história que prende o leitor desde a primeira à última página, mas que nos deixa uma certa angústia no final. Não é um final feliz, mas sim um final tantas vezes real, tantas vezes tão próximo...


Prós:
O ritmo da narrativa. A história muito bem imaginada, as personagens cujas emoções são muito reais. As descrições muito conematográficas fazem com que o leitor consiga visualizar e quase que viver o descrito.

Contras:
Alguns erros ortográficos.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"Deambulações Fantásticas" - Hermann Hesse

Titulo: Deambulações Fantásticas
Autor: Hermann Hesse
Tradutor: Paulo Rêgo
Editora: Difel
Edição: Junho 2003
Páginas: 105

Sinopse:
"Johannes, o compositor, lamenta a tragédia dos maus tratos sofridos pela língua. O narrador ensaia uma exposição sumária da sua vida, donde ressalta a obsessão acalentada desde tenra idade de se tornar escritor.
Edmind explora os significados ocultos dos tantras indianos, defendendo posições distintas das do seu professor. São fornecidas, em tom de paródia, algumas achegas para a história cultural da Suábia natal de Hesse.
Por fim, algo mais acerca do Lobo das Estepes.
Cinco deambulações, sempre fantásticas."

Opinião:
Tinha este livro já há alguns anos na prateleira. Esta semana decidi lê-lo. Confirma-se o que já sabia: contos não são, de todo, o meu estilo.

Este livro é composto por cinco curtos contos, que terminam de uma forma fantástica ou irreal. Não vou falar dos contos, pois isso implicaria contá-los, mas considero-os engraçados, em especial o primeiro e o último.

O que mais me cativou foi a escrita de Hermann Hesse, que já conhecia da sua brilhante obra "Siddartha" - uma escrita brilhante, muito bem cobstruída, nem sempre fácil, mas de uma beleza única.

Prós:
A escrita maravilhosa.

Contras:
Nada a assinalar.

"Fúria Divina" - José Rodrigues dos Santos

Título: Fúria Divina
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
Edição: 1.ª Edição - Outubro 2009
Páginas: 583

Sinopse:
"Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o hostoriador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra.

Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo profesor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo.

E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica?

Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos."

Opinião:

Comecei a ler este livro esperando algo do género de A Fórmula de Deus, com muita acção. Não foi o que encontrei. Neste livro de José Rodrigues dos Santos, a acção fica secundarizada pela lição de história islâmica.

Gostei bastante do livro. Penso que a intenção do autor era dar a conhecer o pensamento radical islâmico, o que conseguiu de forma muito clara.

A história de Ahmed é a história de outros tantos Ahmeds, criados para servir um pensamento radical, fundamentalista, assente emprincípios de obediência e servidão religiosos.

Ao longo da narrativa, somos levados a olhar para o islão com os olhos dos islâmicos, de uma forma tão clara que nos arrepiamos em muitas das passagens descritas.

Confesso que é assustador aquilo que o livro nos dá a onhecer, apesar de já não ser algo desconhecido. No entanto, quando fechamos a última página ficamos a pensar: como é que é possível?

Tal como já escrevi, nesta obra a acção é secundarizada, mas a mim agradou-me bastante; fala de um tema sobre o qual tenho imensa curiosidade (até já li uma grande parte do Alcorão, há alguns anos) ao mesmo tempo que me assusta o que se pode fazer em nome da religião.

Terminei livro com uma sensação de insegurança, apreensão e com uma certeza: o Homem é a grande ameaça da Humanidade.

Prós:
A escrita simples e absorvente a que José Rodrigues dos Santos já nos habituou. A lição sobre o Islão. A forma como o autor nos consegue fazer ver o fundamentalismo islâmico através do "olhar" dos próprios fundamentalistas.

Contras:
Algumas das explicações do Alcorão e da história islâmica são longas, o que pode desmotivar um pouco quem esteja à procura de uma leitura plena de acção.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato Faria



Morreu Rosa Lobato Faria, com 77 anos, vítima de uma anemia grave.
Uma grande perda para a cultura portuguesa. Uma grande Senhora que nos deixa.
Há muito que ando com vontade de ler um dos livros desta escritora "As Esquinas do Tempo". Ainda não li, e tenho pena de não o ter feito em vida da sua autora.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Desconhecidos" - Taichi Yamada

Título: Desconhecidos
Autor: Taichi Yamada
Tradutora: Helena Serrano
Editora: Civilização
Edição: 2.ª edição / Julho 2006
Páginas: 165


Sinopse:
Este livro não tem sinopse, mas apresenta a seguinte descrição na contra-capa:

"Uma arrepiante história de fantasmas escrita com hipnótica clareza: de ritmo rápido, inteligente e assombrosa, com passagens de uma intensa percepção das relações entre pais e filhos, o que torna tão comovente este fascinante livro."
Bret Easton Ellis, Autor de Psicopata Americano



Opinião:
Mais um brilhante autor japonês.

Neste livro o leitor depara-se com uma história comovente entre homens e fantasmas, entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, tema muito habitual na literatura e folclore japonês.

Num prédio de escritórios, durante a noite, apenas dois inquilinos permanecem isolados na sua solidão. Quando um deles procura a companhia a companhia do outro e esta é recusada, uma série de acontecimentos são despoletados.

Um homem adulto, que perdeu os pais num acidente aos 12 anos de idade, reencontra uma felicidade que julgava impossível de reviver. Mas a que custo se pode viver uma felicidade assim?

Não vou falar da história pois isso retiraria todo o interesse a quem queira ler este magnífico livro.

Prós:
A linguagem, a musicalidade e a emotividade da história. O ritmo a que se desenvolve e nos prende até à última palavra.

Contras:
Não tem.

Cirurgia agendada

A minha cirurgua está agendada para dia 20 ou dia 27 de Março. E como já é habitual, comigo nada é fácil. Depois de mais uma consulta a ser examinada por dois médicos lá vem a confirmação do diagnóstico - lesões de endometriose profunda. Ora bem, esta senhora que se instalou sem pedir permissão (deve pertencer ao movimento "ocupa"), decidiu, talvez para não se sentir sozinha, "agarrar-se" aos nervos laterais do intestino. E aí é que está a maior complicação, ou melhor, o que pode vir a ser a complicação - provavelmente terei de ser colostomizada por alguns meses após a cirurgia (em português corrente, vou andar com um saquinho para os meus detritos - uma espécie de ecoponto orgânico portátil). Mas é uma hipótese. Mas é também um dos riscos da cirurgia assim como a possibilidade de ter de ser argaliada. Ou seja, após tantos anos a ir à sanita agora querem que eu deixe de frequentar esse sítio que me proporciona tantos e agradáveis momentos de leitura. Sim, porque eu leio na casa de banho!



Mas enfim, há que estar preparada, pois as hipóteses existem.


E tudo isto tem um lado positivo: vou dormir cerca de oito horas seguidinhas (o tempo que o cirurgião estimou para esta cirurgia), coisa que não tenho habitualmente tempo para fazer e quando acordar não é para ir trabalhar!!!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Literatura Japonesa



Para quem, como eu, for fã de literatura japonesa, deixo aqui um blogue que recentemente descobri:


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