sábado, 18 de outubro de 2008

A compra de hoje


Eu e a minha mania de comprar as edições antigas... Encontrei esta na Livraria Latina, no Porto.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nobel da Literatura 2008


O escritor francês Jean-Marie Le Clézio, premiado com o Nobel da Literatura, tem traduzidos em Portugal os seguintes títulos: "O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" (considerado a sua obra-prima), "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco" A sua obra ultrapassa os 50 títulos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Romance de Genji - II volume

Já saiu o segundo volume do Romance de Genji. Este é bem mais fininho que o primeiro volume - só tem 424 páginas. A editora é a Relógio d'Água. Escusado será dizer que vai para a minha lista de livros a comprar.

domingo, 5 de outubro de 2008

"O Clube de Macau" - Pedro G. Rosado

"Macau, 1984: um juiz (o futuro procurador-geral da República), três polícias, um médico e um apresentador da televisão formam um bordel secreto a que chamam Clube de Macau, recorrendo a adolescentes chinesas dispostas a pagar o preço mais elevado para fugirem da China para o Ocidente. Quando uma delas é assassinada, o Clube de Macau dissolve-se.

Mas vinte anos mais tarde, em Lisboa, os antigos membros voltam a encontrar-se quando o procurador-geral pretende candidatar-se à Presidência da República. A ambição cruza-se então com o escândalo de pedofilia, e, desta vez, não é o prazer que espera os antigos membros do Clube de Macau, mas uma guerra sem tréguas.

Inspirado pelo Processo Casa Pia, O Clube de Macau é o terceiro romance de Pedro G. Rosado sobre os submundos da realidade portuguesa, depois de Crimes Solitários e de Ulianov e o Diabo, completando a trilogia O Estado do Crime."

Este é o terceiro livro de Pedro Rosado que leio e foi o que mais me impressionou. Não que contenha descrições impressionantes ou chocantes, mas sim pela história que conta.

Tudo começa em Macau, onde um grupo de amigos (um juiz, três polícias, um médico e um apresentador de televisão) decidem criar o seu próprio bordel, a que chamam Clube de Macau. Para "abastecerem" o bordel, recorrem a um traficante de armas, droga e mulheres, que lhes traz as raparigas, todas menores, a troco de promessas de uma vida no Ocidente.

Um dos fundadores do Clube, o então polícia Carlos Vasques, estabelece uma relação mais próxima com uma dessas raparigas, Li Huei, e esta afasta-se do Clube. No entanto, Carlos Vasques permite que ela continue a receber um outro membro do Clube, apesar de saber que o filho de Li Huei é também seu filho. Esta relação entre o português e a menor chinesa incomoda os outros membros do Clube de Macau pois trai a sua base.

Um dia Li Huei aparece morta, assassinada. Carlos Vasques encontra o seu corpo, sem vida, na casa onde a visita e sai, levando consigo o seu filho. A partir desse dia, todos os membros do Clube de Macau regressam a Portugal, deixando para trás o passado e muitas dúvidas.

Vinte anos depois, o Clube de Macau parece ressuscitar na memória daqueles que o queriam esquecer. Carlos Vasques é dono de uma empresa de segurança, tendo como principal actividade a segurança pessoal de empresários. Um dos seus clientes, contacta-o, oferecendo-lhe bastante dinheiro pelo trabalho que lhe propõe: o procurador-geral da República é candidato à Presidência da República e Vasques terá de impedir a sua candidatura. Para convencer Carlos a aceitar o trabalho, o seu cliente entrega-lhe duas fotografias que o fazem reviver fantasmas que há muito tenta esquecer. Nessas fotografias está Carlos de Sousa Ribeiro (o procurador-geral e fundador do Clube de Macau) em actos sexuais explícitos com um rapaz, que aparenta ser menor de idade. Mas não é o acto que a fotografia revela que mais enfurece Carlos Vasques, mas sim o rosto do rapaz, que lhe faz lembrar o de Li Huei. Poderá ser o seu filho? O filho que ele deixou à porta do Colégio da Beneficiência, colégio que mais tarde viria a ser o centro do escândalo de pedofilia que originou o tão conhecido "Processo da Beneficiência", conduzido de forma exemplar pelo procurador-geral da República Carlos de Sousa Ribeiro?

E assim começa uma cruzada de vingança, em que o passado se transporta para o presente e onde não há inocentes.

A história relatada no livro é assustadora, e deixa-nos a pensar sobre a forma como interesses tão horripilantes são camuflados à sombra daqueles que os deviam denunciar e lutar pela condenação dos envolvidos. Mas quererá alguém lutar pela sua própria condenação?

Uma história que nos arrepia, principalmente quando pensamos que um caso semelhante, e que inspirou o autor, ainda está por resolver.

Alterações dos preços FNAC - II



Como não gosto de ficar com dúvidas e me parecia existir alguma discrepância entre o publicado na comunicação social e o praticado nas livrarias FNAC, hoje dirigi-me a uma das suas lojas, colocando as minhas questões.

A situação dos preços FNAC é a seguinte:

  • a nova política de preços só entra em vigor no mês de Novembro. Durante o mês de Outubro tudo se mantém inalterado.
  • a partir de Novembro o preço FNAC (com 10% de desconto sobre o preço de editor) passa a ser válido apenas para aderentes do Cartão FNAC. Com isto, a FNAC pretende beneficiar os aderentes de cartão, independentemente da forma de pagamento, ou seja, beneficia do desconto quem seja titular do cartão FNAC, mesmo que não efectue o pagamento com ele (desde que o apresente no acto da compra). De acordo com a funcionária que me prestou este esclarecimento, o desconto pretende beneficiar o portador do cartão e não a compra com o cartão, ou seja o crédito. Parece-me bem.

Assim, quem não é aderente, aproveite este mês de Outubro para fazer algumas compras (quem sabe, comprar já algumas das prendas de Natal?!), ou então, aderir ao cartão para continuar a beneficiar dos 10% de desconto.

Na verdade, também alguns hipermercados, apresentam o desconto de "10% sobre o preço de capa", mas também é verdade que não têm a diversidade da FNAC (apesar de serem livros com grande rotação, não se pode comparar uma FNAC ao espaço de livraria dos hipermercados). E, a meu ver, existe uma outra vantagem das livrarias FNAC, que é a possibilidade de ler, mexer, folhear os livros. E acreditem, é um bom incentivo à compra.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dinis Machado 1930 - 2008

Acontece, não raras vezes, ouvir-se falar das pessoas quando estas estão no final da sua vida. Parece ter sido o que aconteceu com Dinis Machado (para muitos conhecido, por muito tempo, apenas pelo pseudónimo Dennis McShade), autor de vários livros entre os quais se destaca "O que diz Molero" e os policiais "Mão direita do Diabo", "Requiem para D. Quixote" e "Mulher e Arma com Guitarra Espanhola" que estão agora a ser reeditados pela Assírio & Alvim.

Faleceu hoje, aos 78 anos de idade.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Alterações dos preços FNAC


A partir de hoje, os livros na FNAC estão mais caros. Quer dizer, estão mais caros para quem não tem Cartão FNAC. Eu explico: a FNAC passa, desde hoje, a aplicar os 10% de desconto apenas a aderentes do cartão FNAC e não a todos os livros vendidos, como até agora. Assim, falar em preço FNAC já não tem sentido. Ainda bem que sou aderente do Cartão!


Veja a notícia aqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"O Bom Nome" - Jhumpa Lahiri

"O Bom Nome" é um livro sobre a vida de uma família indiana nos Estados Unidos da América. Ashima Ganguli, uma jovem indiana de 19 anos, conheceu aquele que seria o seu marido, num encontro proporcionado pelos seus pais. Só depois do pedido de casamento é que ficou a saber o nome do seu noivo - Ashoke.

Ashoke é professor universitário e após o seu casamento partem para os Estados Unidos da América, onde Ashima assume o papel de mulher dedicada, onde aprende a conhecer e a amaro seu marido e onde vai ser mãe.

Aquando o nascimento do primeiro filho do casal, estes aguardam uma carta de familiares que contém o nome da criança - o seu Bom Nome - seguindo a tradição cultural indiana. No entanto, a carta teima em não chegar e os pais decidem atribuir ao rapaz uma alcunha familiar (outro costume indiano), nome pelo qual será tratado no seio familiar e pelos amigos. O nome escolhido é Gogol, em homenagem ao escritor russo Nikolai Gogol, com o qual Ashoke tem uma forte relação, enquanto leitor, devido a uma vivência traumática da sua vida.

A carta com o Bom Nome de Gogol nunca chega e os seus pais são confrontados com situações diárias nas quais têm de colocar o nome do filho e assim a alcunha familiar passa a ser o nome oficial - Gogol Ganguli.

Com a entrada de Gogol para a escola, os pais decidem que ele tem de ter, definitivamente, um Bom Nome, e escolhem Nikhil. No entanto, o filho, habituado a ser chamado de Gogol, recusa o novo nome e assim Gogol assume-se como o seu único nome.

Gogol cresce e torna-se num jovem algo introvertido, que rejeita as tradições indianas que os pais teimam em manter, tais como os saris da mãe, as festas e os amigos indianos dos pais. Considera tudo patético, até o seu nome. E é nessa sua fase de rejeição das origens culturais da família que decide mudar de nome, assumindo-se definitivamente Nikhil.

O livro conta de uma forma muito agradável a vida deste jovem, e da sua família, num país estranho para os seus pais, mas que é o seu país, onde tem de crescer numa duplicidade de culturas, rituais, tradições e costumes. É a história de Gogol, que apesar de amar a sua família, se sente sufocado por ela e pela sua história, procurando encontrar-se. Esta busca de si próprio leva-o a fases em que quase rejeita a sua origem, sentindo vergonha da família que se mantém fiel as suas raízes.

Vai ser nas relações amorosas que estabelece e, principalmente, com a morte inesperada do pai, que Gogol vai crescendo, ora negando, ora aproximando-se da sua origem, acabando por se encontrar na leitura de um livro, há muito esquecido, um presente de seu pai.

É uma história plena de emoções e sentimentos, mas que o consegue ser de uma forma realista e não lamechas ou "cor-de-rosa". Faz pensar em quem somos, nas nossas raízes e que, apesar de indivíduos únicos, tranportamos connosco uma herança muito maior que um código genético - transportamos cultura, tradições, costumes, aprendizagens do que somos, que não podemos negar.

Gostei.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"O Romance de Genji" - Murasaki Shikibu

Hoje tive uma surpresa: o meu marido ofereceu-me este livro.
Este é o primeiro volume de "O Romance de Genji", um clássico da literatura japonesa. São 33 capítulos, 838 páginas, que me parecem fascinantes.


Na introdução pode-se ler:


"O tema central do enredo é a luta de Genji, um resplandecente príncipe, filho do imperador, para recuperar os direitos derivados do seu nascimento, mas são as aventuras amorosas do herói o principal fio condutor da novela. Numa sociedade em que a poligamia era uma prática comum entre os homens de condição elevada, Genji ora seduz, ora se deixa seduzir, sem nunca se deter diante das contrariedades ou das intrigas palacianas, a ponto do seu destino parecer sucessivamente traçado por um único e grande vício: uma paixão excessiva pelas mulheres. Mas as suas indecisões e contradições, todas as conquistas irresponsáveis, infidelidades e traições não fazem dele, como notou e bem Harold Bloom, um Don Juan ou um Casanova. O universo de Genji é orquestrado por relações que desafiam a maior parte das concepções ocidentais sobre o amor, o casamento, o erotismo, a paixão e o desejo, compondo uma obra que é também a descrição minuciosa de uma época e de uma cultura, temporal e geograficamente distantes."


Quando o ler darei a minha opinião.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Estranha Forma de Vida" - Carlos Ademar

" Numa noite fria de Outubro o porteiro da discoteca Pomme Rouge é assassinado quando se dirige para o emprego. Os autores do crime são membros de um grupo violento que disputa a liderança da segurança dos espaços de diversão nocturna lisboeta. Agridem, roubam, sequestram, torturam, ganham poder e, principalmente, muito dinheiro.


Quando o inspector Alves da Polícia Judiciária começa a investigar estava longe de imaginar que o caso envolvia alguns políticos que trocam a dignidade por muito pouco, que um traficante de armas enriquecia vertiginosamente ou que um advogado deambulava pelos bares homossexuais da cidade promovendo as «festas brancas» ou o «quarto escuro».


Ao mesmo tempo, raparigas chegam da sua terra natal, percorrendo milhares de quilómetros para se despir num palco e vender o corpo, enquanto membros da máfia russa desaparecem misteriosamente. A cada momento as autoridades policiais estão prontas a deitar a mão a quem desafia a autoridade do Estado. Mas estará a Justiça preparada para combater uma criminalidade violenta e organizada? Não terá a própria Justiça uma estranha forma de vida?"


Este é o terceiro livro do autor, Carlor Ademar, que leio e mais uma vez, a terceira, gostei muito. Conta a história de Alberto Lima, um rapaz pequeno agredido pelos colegas que se transforma no homem mais temível das noites lisboetas. Ex-operacional da PSP, Alberto Lima está ligado a tudo o que é ilegal: tráfico de droga, tráfico de mulheres, tráfico de armas, corrupção, tráfico de influências, suborno, sequestros, torturas, assaltos, ...


Uma história que nos mostra um lado desconhecido da cidade, que apesar de o autor alertar para o facto de que todos os acontecimentos e personagens do seu livro são fruto da sua imaginação, ficamos com a clara impressão de que são muito mais que isso.


É um livro arrepiante por aquilo que conta e pelo final, frio e realista, que demonstra que nem sempre a Justiça faz honra ao seu nome.
Um livro que nos faz pensar e nos arrepia pelo realismo com que narra a crueldade esta "Estranha forma de Vida".


Recomendo vivamente.

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