domingo, 18 de maio de 2008

Da Morte

Então, Al-Mithra falou e disse: Gostaríamos de te interrogar agora sobre a morte.
E ele respondeu:
Gostaríeis de conhecer o segredo da morte.
Mas como o encontrareis, se não o procurardes no coração da vida?
O mocho de olhos destinados à noite, e que o dia torna cego, não pode descobrir o mistério da luz.
Se quereis verdadeiramente contemplar o espírito da morte, abri de par em par o vosso coração à substância da vida;
pois a vida e a morte são uma só coisa, como uma só coisa são também o rio e o mar.

Nas profundezas das vossas esperanças e dos vossos desejos repousa o vosso silencioso saber do além.
E, como as sementes que sonham debaixo da neve, o vosso coração sonha com a Primavera.
Tende fé nos sonhos, pois neles se encontra a porta da eternidade.
O vosso temor da morte mais não é que o temor do pastor na presença do rei que se apressa a tocá-lo com a mão para o honrar.
E, apesar desse temor, o pastor não fica feliz por trazer em si a insígnia de honra do rei?
E não ficará ele ainda mais consciente do seu tremor?


Pois o que é morrer se não apresentar-se nú ao vento e dissolver-se ao Sol?
E que é deixar de respirar se não libertar o sopro do seu coração sem repouso a fim de ele poder elevar-se, expandir-se e, liberto, caminhar para Deus?


Somente quando tiverdes bebido do rio do silêncio é que verdadeiramente cantareis.
E quando tiverdes chegado ao cume da montanha é que começareis a escalada.
E quando a terra reclamar os vosso membros, então dançareis.


(Khalil Gibran, "O Profeta)


KHALIL GIBRAN


Khalil Gibran nasceu a 6 de Janeiro de 1883, em Bicharre, Líbano. Ensaísta, filósofo, pensador, conferenciasta e pintor, produziu um extensa obra literária, onde é bem visível e marcante o misticismo oriental, bem como a influência de fontes tão dísoares como a Bíblia, Nietzsche e William Bllake. Os temas principais dos seus escritos são o amor, a amizade, a morte e a natureza.
Em 1895, após a prisão do pai acusado de fuga aos impostos, e por decisão de sua mãe que quer procurar uma vida melhor para os seu quatro filho, emigra para os Estados Unidos da América, onde se instalam na cidade de Boston. O interesse e curiosidade cultural de Khalil Gibran levam-no ao mundo do testro, da ópera e às galerias de arte de Boston. Os seus desenhos despertam o interesse dos seus professores.
Em 1989 regressa ao Líbano para completar os seus estudos árabes, no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Regressa a Boston em 1902, onde escreve poemas e pensamentos paro o jornal árabe Al-Muhajer (O Emigrante). O mundo árabe descobre-o através do seu estilo, muito pessoal, de escrever. Mas não é só a escrita que o fascina - a pintura é outro mundo onde dá provas do seu talento. Desenha e pinta, numa arte mística muito própria. É através da pintura, numa exposição dos seus primeiros quadros, que desperta a atenção e interesse de Mary Huskell, directora de uma escola americana, que se oferece para lhe custear os estudos artísticos em Paris.
De 1908 a 1910 vive em Paris, onde conhece Rodin e estuda na Académie Julien. Em 1910 regressa a Boston e muda-se, nesse mesmo ano, para Nova Iorque, onde permanece até ao seus últimos dias.
Entre 1905 e 1920 Gibram escreve exclusivamente em árabe, tendo em 1918, a pouco e pouco, começao a aescrever em inglês.
Morreu a 10 de Abril de 1931, no Hoapital São Vicente, em Nova Iorque, com uma crise pulmonar.
Alguns livros editados em Portugal:
  • O Profeta
  • O Louco
  • O Vagabundo
  • Entre a Noite e a Manhã
  • Segredos do Coração
  • Espelhos da Alma
  • A Voz do Mestre
  • O Jardim do Profeta
  • Espírito Rebelde
  • Asas Quebradas
  • Lágrimas e Risos
  • Cartas de Amor do Profeta

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Recordações

Hoje apeteceu-me recordar algumas coisas que marcaram a minha infância e juventude.

E vejam só o que eu encontrei! Alguém se lembra?

Jovens Heróis de Shaolin - série de televisão, da qual eu não perdia um episódio (já na altura o Oriente tinha a ver comigo!)




Kung-Fu - série de televisão da qual ainda hoje lembro ensinamentos como este.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

SHANTARAM - um dos livros da minha vida

"Levou-me muito tempo e precisei de atravessar grande parte do mundo para aprender o que sei sobre oamor e o destino e sobre as escolhas que faze-mos, mas a resposta a tudo isto atingiu-me num momento, quando estava acorrentado a uma parede e a ser torturado. Percebi, através dos gritos, que mesmo naquela impotência algemada e ensanguentada, eu ainda era livre: livre para odiar os homens que me torturavam ou para os perdoar. Não parece grande coisa, eu sei, mas no medo e na opressão de cárcere, quando estes sentimentos são tudo o que se tem, aquela liberdade é um universo de possibilidades. E a escolha que se faz, entre odiar e perdoar, pode tornar-se a história de uma vida.
No meu caso, é uma história longa e povoada de personagens. Eu era um revolucionário que perdera os ideais em heroína, um filósofo que perdera a integridade no crime e um poeta que perdera a alma numa prisão de alta segurança. Quando fiugi, saltando o muro, entre as duas torres de vigia, transformei-me no homem mais procurado do meu país. A sorte acompanhou-me e voou comigo através do mundo para a Índia, onde me juntei à máfia de Bombaim. Trabalhei como traficante de armas, contrabandista e falsário. Fui preso em três continentes , sovado, apunhalado e passei fome. Fui para a guerra . Enfrentei as armas inimigas. E sobrevivi, enquanto outros, em meu redor, morriam. Eram melhores que eu, na sua maioria: homens melhores cujas vidas foram destruídas por enganos desperdiçadas pelo momento errado do ódio, do amoor ou da indiferença de alguém. E enterrei muitos desses homens, enterrei-os e lamentei as suas vidas, como se da minha se tratasse."


É assim que começa este livro. Com as palavras do próprio autor, que escreve a sua história na primeira pessoa. Confesso que me rendi desde as primeiras páginas. Terminei de o ler ontem, e ainda hoje tenho bem presentes as palavras que li. Sinto alguma dificuldade em escrever sobre o livro e a sua história, pois a forma como me "tocou" foi demasido profunda, e por vezes é difícil transmitir o que se sente. Mais que uma leitura, foi uma experiência de vida, de sentimentos e de espiritualidade.


O autor, fugitivo de uma prisão de alta segurança na Austrália, trnsporta consigo um passado em que era viciado em heroína e fazia assaltos à mão armada para conseguir sustentar o vício que o fazia desejar a morte. Foge para Bombaim onde, à saída do avião, conhece Prabaker, um indiano, guia turístico, com um sorriso irresistível e um coração do tamanho do mundo. Gregory David Roberts viaja com um passaporte falso, onde consta o nome de Lindsay - rapidamente, Prabaker o apelida de Linbaba e passa a ser conhecido por Lin. Mais tarde, recebe o nome de Shantaram, que significa " homem de paz" ou "homem de paz de deus"


Entre paixões e amizades vividas e partilhadas no café Leopold's, os negócios no mercado negro, a máfia de Bombaim e recaídas na heroína, o autor conta-nos uma história onde o lado mais negro e obscuro dos Homens se cruza com sentimentos tão profundos como a lealdade, a amizade, o amor ou a cumplicidade.


Shantaram é a história de um Homem que procura por si próprio, nas ruas de Bombaim. É a história de um Homem, que apesar de cometer crimes, descobre no mais fundo de si os sentimentos mais nobres e profundos que os homens podem sentir, que aprende a disfrutar de um sorriso e que descobre que a beleza e a felicidade estão nas coisas mais simples da vida.


E tal como o próprio escreve:
"O único reino que faz de qualquer homem um rei é o reino da sua própria alma. O único poder que tem qualquer verdadeiro significado é o poder para melhorar o mundo" (pág. 863)


Duas certezas eu tenho: este é já um dos livros da minha vida e sei que o vou voltar a ler!

domingo, 11 de maio de 2008

Endometriose - a dor que nos consome


Hoje vou escrever sobre um problema que afecta mutas mulheres, e que me afecta a mim - a Endometriose. Após alguns anos de muitas dores, foi-me diagnosticada esta doença, que a cada ciclo menstrual me fazia chorar de dores, passar noites sem dormir, sentindo a minha barriga com que a rasgar-se por dentro, onde os simples movimentos intestinais se tornavam numa tortura dolorosa, com diarreias intermináveis seguidas de prisão de ventre insuportável.

A informação contida neste texto foi retirada do site da Associação Portuguesa de Endometriose: http://www.aspoendo.org/

O revestimento interno do útero contém sangue e tecidos. Durante o ciclo menstrual, as paredes do útero - o endométrio - crescem, numa preparação parauma eventual gravidez. Quando a gravidez não ocorre, esse tecido desprende-se e ocorre o período mentrual.

A endometriose é uma doença crónica caracterizada pelo crescimento das placas de tecido endometrial, fora do útero.

Durante o período menstrual, este tecido endometrial que cresce fora do útero e que tem actividade hormonal, desenvolve-se e sangra exactamente do mesmo modo que o tecido do útero. Este sangramento interno, que não é período menstrual, não sai do corpo, provocando inflamação, dor e tecido cicatricial.

A endometriose pode ser encontrada na bexiga, nos ureteres, intestino delgado e intestino grosso, ou no revestimento da parede torácica (pleura).

A causa ainda é desconhecida, mas existem várias teorias.
  • Menstruação retrógrada
  • Linfático ou circulatório
  • Predisposição genética
  • Disfunção imunológica
  • Causas do ambiente – como exposição a dioxina


Os SINTOMAS mais comuns da endometriose incluem:

  • Dor e / ou períodos abundantes
  • Dor durante as relações sexuais
  • Dor a urinar (especialmente quando está com o período)
  • Infertilidade
  • Fadiga

Associados a estes sintomas, as mulheres ainda se queixam de:

DOR

  • Períodos menstruais dolorosos
  • Dor antes e depois dos períodos menstruais
  • Dor durante ou depois de ter relações sexuais
  • Dor durante a ovulação
  • Dor na examinação interna

SANGRAR

  • Períodos menstruais abundantes com / sem coágulos
  • Períodos menstruais longos
  • Perdas antes da menstruação
  • Períodos irregulares
  • Perda de cor negra ou sangue velho antes ou no fim do período

SINTOMAS DO INTESTINO E BEXIGA

  • Dor no movimento do intestino
  • Dor antes ou depois de defecar
  • Sangrar pelo recto
  • Irritação intestinal – diarreia, cólicas, prisão de ventre
  • Dor durante a micção
  • Dor antes ou depois de urinar

OUTROS SINTOMAS

  • Letargia
  • Cansaço extremo

Neste momento ainda me encontro a fazer alguns exames que ajudarão a definir o tratamento mais adequado. Para já, e de forma a diminuir bastante as dores, a terapêutica passa pela inibição do ciclo menstrual. O que virá a seguir, ainda não sei, mas será sempre bem vindo desde que me devolva alguma qualidade de vida, diminuindo o síndrome doloroso.

sábado, 10 de maio de 2008

António Andrade de Albuquerque / Dick Haskins

Uma leitora do "Conta-me Histórias" fez-me um pedido: publicar uma foto de António Andrade Albuquerque.

Querida Ana, as fotos que aqui publico, são as que se encontram nas contra-capas das edições mais antigas dos livros de Dick Haskins (pseudónimo do autor).


Aqui poderá encontrar uma foto mais recente, bem como um pouco da sua história: http://dn.sapo.pt/2007/06/23/dngente/na_casa_sr_policial.html



terça-feira, 6 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Relíquias Literárias

Hoje, ao arrumar alguns livros antigos, encontrei este : "Poesias Selectas para Leitura, Recitação e Analyse dos Poetas Portuguezes", um livro de 1888.


Deixo aqui duas páginas deste livro, onde se pode ver como se escrevia na época.



domingo, 27 de abril de 2008

"SHANTARAM" - Gregory David Roberts

Shantaram é o título do livro que estou a ler. Já aqui tinha falado sobre ele http://wwwcontamehistorias.blogspot.com/2008/04/duas-novas-aquisies.html. Vou começar a ler a página 220 (o livro tem 892) e confesso: estou completamente apaixonada pela história que o autor relata. Gregory David Roberts conta a história da vida que começou ao trinta anos, após a sua fuga de uma prisão de alta segurança, na Austrália. Conta, ao longo das suas páginas, como nasceu um homem novo, através das vivências humanas, numa Indía plena de contrastes. Não vou aqui falar mais sobre o livro, até porque ainda não o li todo, mas deixo que o autor vos conte algumas das passagens desta história, que tal como já vos disse, me apaixonou verdadeiramente.










sábado, 26 de abril de 2008

Os meus livros de Dick Haskins

Hoje comprei mais umas edições antigas dos livros de Dick Haskins.


Para além das revisões que o autor fez a alguns dos textos, as capas também sofreram uma evolução bastante positiva. Deixo aqui as capas de todos os livros de Dick Haskins que possuo, onde é bem visível a evolução gráfica das capas.


Livros doa quais tenho duas edições (as mais antigas de 1966 a 2003):



















Livros dos quais apenas tenho a edição mais recente (2002/2003):





























Livros dos quais tenho apenas edições antigas ( entre 1958 e 1970)
















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