terça-feira, 25 de setembro de 2007

O teatro da vida ou como se morre no fim de cada acto

Luzes, música, acção!
A peça vai começar.
-"Um poeta, por favor!... Para declamar..."
Pode ser o Viegas...
Esperem,... calem a música, apaguem as luzes... O Viegas não pode ser! Esse já é livre... Tem de ser um preso... Um preso como eu... Algemado à vida.
Acendam as luzes! Ponham a música a tocar! Na assistência não quero ninguém. Só rosas... rosas vermelhas... da cor da vida que em breve cobrirá este palco.
Este palco... é a minha morte, aquela que desde sempre construí, com amor, com garra, com luta, com paixão. Este palco é toda a minha vida.
Calem a música. Iluminem o palco. Esta vida á qual ponho fim foi feliz. Por isso tem de acabar enquanto ainda há felicidade. A morte que construo desde que nasci, é livre! LIVRE! ouviram? Vou-me matar?! Não, apenas vou finalizar a grande construção da vida. Sim, sinto-me livre. Não posso mais viver, a vida prende-me, agarra-me. Agora, vou começar livremente a viver.
Chegou a hora? Não sei! Dentro de segundos já me matei - já não sou a que agora penso ser. Sou livre de escolher, de ser quem quiser, amar ou morrer.
Adeus, ou... até ao próximo acto
Cai o pano

(Homem do Leme - 29/08/1997)

POETA

Poeta é o que sofre
Não como toda a gente
Mas como só ele sabe sofrer
Sofre de alegria
Sofre de tristeza
Sofre, porque sofrer é ser.
Poeta é o que sente
O que sente profundo
O que sente sentido.
Poeta é o que olha e vê
Vê, não o que vê, mas o que não vê.
Poeta é o que olha um pássaro
e vê liberdade
O que olha o Tejo
e vê solidão
Poeta é o que sente o que sofre
e sofre o que sente
Poeta é aqule que sonha com o que sofre
Olhando o que não vê.
Poeta... sou eu!


(Homem do Leme)

EU

A vida é complicada
Nunca completa
Nunca acabada
É uma busca constante
Por algo desconhecido
É a procura incessante
De algo nunca sentido
Uns chamam-lhe razão
Outros felicidade
Para uns é paixão
Para outros crueldade
Mas enquanto procuro
Esse algo meu
Prefiro chamar-lhe
Simplesmente - "Eu"
(Homem do Leme)

sábado, 15 de setembro de 2007

Bons momentos para recordar

FESTIVAL DO MARISCO/2007 - OLHÃO



Negras como a noite

Só mesmo o Tim para escrever e interpretar uma música assim... é tão linda!!!





Com mãos de veludo
Negras como a noite
Tu deste-me tudo
E eu parti

Um homem trabalha
Do outro lado do rio
Com as suas duas mãos
Repara um navio
Está sózinho e triste
Mas tem de aguentar
Já falta tão pouco
Para poder voltar

Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Quando o sol
Se juntar ao mar
E eu te voltar a beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só maios uma vez, só mais esta vez

Com adeus começa
Outro dia igual
Ficou a promessa
Escondida no lençol
Negras como a noite
Vindas de outra terra
As mãos de veludo
Estão à sua espera

Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Vai ficar tudo bem
Isso eu sei
Quando o sol
Se juntar ao mar
E eu te voltar a beijar
Só mais uma vez, só mais uma vez
Só mais uma, só mais esta vez

(Tim/Xutos e Pontapés)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

BEM VINDO DALAI LAMA


Bem vindo.
Continuo a acreditar que um dia, a causa tibetana, superará os interesses económicos e políticos. Um dia...

sábado, 8 de setembro de 2007

DALAI-LAMA EM PORTUGAL

ESTOU INDIGNADA!!!

Mais uma vez o nosso país me desilude- já devia estar habituada, mas parece que não estou.

Como é do conhecimento de todos, e já publicitei aqui, o Dalai-Lama vem a Portugal para a semana, para um círculo de conferências budistas e espirituais. Para mim é, ou devia ser, um motivo de orgulho ter no meu país o líder espiritual que admiro. Então o que é que me indigna? A hipocrisia dos nossos dirigentes políticos, a falta de coragem da classe política que nos governa e que escolhemos como nossos representantes.

Hoje ouvi o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros dizer que o Dalai-Lama não será recebido oficialmente "como é óbvio". Óbvio para quem? Para a hipocrisia política, para o poder económico, que tudo colocam acima do direito à liberdade. Os tibetanos foram obrigados ao exílio após a invasão chinesa, o Dalai-Lama, líder político e espiritual do seu país - o Tibete - teve de se exilar na Índia para poder professar a filosofia de vida que é o budismo e poder lutar pelo direito à independência do território livre que foi ocupado, violado e profanado no seu íntimo.

O "óbvio" do nosso ministro para mim traduz-se em cobardia - já vi terroristas sob a capa de líderes políticos, serem recebidos no nosso país com honras de estado, e pela segunda vez, o líder espiritual budista, vem ao nosso país e não é recebido oficialmente!!! Acima de tudo, o Dalai-Lama é um líder espiritual que luta pelo seu povo e pela sua independência e não um líder político a chafurdar na hipocrisia do poder e dos interesses.

Não é recebido oficialmente, mas é recebido nos nossos corações com todo o amor, paz e compaixão. Para ele é o suficiente.

Ainda estou à espera de ver uma mobilização pública pela independência do Tibete, e ver as organizações defensoras dos direitos do Homem, as associações humanitárias e afins acordarem para o problema tibetano.

BEM VINDO DALAI-LAMA







"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito.

Um chama-se Ontem e o outro chama-se Amanhã.

Portanto, Hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver"

(Dalai-Lama)

Estou orgulhosa

Há coisas que nos fazem sentir orgulhosos. E eu confesso, estou orgulhosa da miúda que vêem no vídeo a receber o prémio. Miúda, é como quem diz, porque a rapariga que aí vêem já não é miúda nenhuma, mas sim uma bela mulher! E orgulhosa porquê? Porque para além de ser minha amiga, filha de amigos meus, também a ajudei a criar. É verdade, esperei muitas vezes pela carrinha do infantário, fiquei com ela à noite (enquanto os pais, professores, davam aulas), contei-lhe histórias, dei-lhe banho -era a fase mais engraçada do dia, o banho e lavar a cabeça - uma verdadeira aventura aquática!!!

É por isso que me sinto orgulhosa, porque brinquei com ela, lhe peguei ao colo, a adormeci, e agora vejo a vencer!

Que tenhas sempre muito sucesso na vida.


III Festival de Vídeo Jovem de Sintra

O FILME VENCEDOR





A REPRESENTANTE DO FILME VENCEDOR

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

30 de Agosto de 2007

Como é do conhecimento de muitos de vós, ontem fiz 34 anos. Eu sei que não se esqueçeram, e como bons amigos e amigas que são, mimaram-me com telefonemas surpresa - e é sempre tão bom ouvir a voz das pessoas de quem gostamos - e com mensagens, para o telemóvel ou via net - e também é bom ler as palavras que nos dedicam.

Enfim, depois de um dia passado em família, com algumas e boas prendas e o tradicional bolo de aniversário, eis que chega a hora de partir, rumo a Viseu, para ver mais uma vez, os Xutos e Pontapés ao vivo. Desta vez, partilhando o meu dia, ou melhor, o final da noite, de aniversário com a minha banda de culto, com aqueles que admiro e sigo há 20 anos.


E assim foi... indo eu, indo eu, a caminho de Viseu... lá cheguei e encontrei outros como eu, que fazemos quilómetros para ver a maior banda de rock portuguesa, que vibramos nas grades ao som das guitarras do Zé Pedro e do João Cabeleira, que acertamos os nossos corações pelas batidas do Kalú, nos deixamos embalar pela voz do Tim, ao som do sax do Gui.

Bem, chega de palavras, aqui deixo algumas imagens que captei...








segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Cântico Negro

Partilho convosco um poema com o qual me identifico completamente.

Vem por aqui!
Dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem:- Vem por aqui!

Eu olho-os com olhos lassos...
Há nos meus olhos ironias e cansaços,
E cruzo os braços, e nunca vim por ali.

A minha glória é esta:
Criar desumanidade, não acompanhar ninguém...
Que eu vivo com o mesmo sem vaidade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, Não vou por aí!
Só vou por onde me levam meus próprios passos,
Se ao que busco saber, nenhum de vós responde,
Porque me repetis:- Vem por aqui!

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhos aos ventos,
Como farrapos arrastar os pés sangrentos...
- A ir por aí!

Se vim ao mundo...
Foi só para desflorar florestas virgens
O mais que faço, não vale nada.

Como pois sereis vós!
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem,
Para eu derrubar os meus obstáculos.
Corre nas nossas veias
Sangue velho dos avós,
- E vós amais o que é belo
Eu amo o longe e a miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos.

Ide!
Tendes estradas, tendes jardins , tendes canteiros
Tendes pátrias e tendes tectos,
E tendes regras e tratados, filósofos e sábios
- Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura
E sinto espuma e sangue
E cânticos nos lábios.

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
-Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,
Mas eu, que nunca principío nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah! que ninguém me dê piedosas intenções
Ninguém me peça definições,
Ninguém me diga: - Vem por aqui!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou.´
É um átomo a mais que se animou,

Não sei por onde vou, não sei para onde vou:
- Sei que não vou por aí!

(José Régio)

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